• Sônia Apolinário

Projeto resgata o protagonismo negro na palhaçaria brasileira

Quem são as palhaças e os palhaços negros que fizeram história no Brasil? Essa pergunta norteia o “Palhaféricos”. A primeira das atividades desse projeto, que inicialmente estava previsto para acontecer presencialmente, é um ciclo de bate-papos virtuais sobre o protagonismo negro na palhaçaria, que acontece entre 23 de julho e 6 de agosto, às quintas-feiras, sempre às 20h. A programação gratuita poderá ser acompanhada pelo Instagram @palhafericos e na fanpage dos convidados.

A primeira conversa tem como tema “Memória e história da negritude no Grande Circo Guarani”. Será conduzida pela jornalista, cineasta e palhaça Mariana Gabriel (@mari_gabriel81) no dia 23 de julho, às 20h. Um dos seus filmes é o documentário “Minha avó era palhaço” (2016, foto), codirigido com Ana Minehira, no qual Mariana recupera a trajetória da avó Xamego, a primeira palhaça negra do Brasil, que brilhou no picadeiro do tradicional Circo Guarany nos anos de 1940.

O jornalista e crítico teatral Miguel Arcanjo Prado (@miguel.arcanjo) participa do bate-papo “Relembrando Benjamin de Oliveira: onde estão nossas inspirações?” no dia 30 de julho, às 20h. Membro da APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte), da qual foi vice-presidente, Miguel foi colunista de Entretenimento do portal UOL e, atualmente, mantém o Blog do Arcanjo. Esse portal teatral é conhecido por dar bastante espaço para a divulgação do trabalho de artistas negros.

Já o instrumentista, cantor, compositor e ator Maurício Tizumba (@mauricio_tizumba) comanda a terceira conversa desse ciclo, “O artista negro na rua”, no dia 6 de agosto, às 20h. Com sua trajetória artística estabelecida desde 1973, ele pesquisa a vida e a trajetória do artista, compositor e cantor mineiro Benjamin de Oliveira (1870-1954), o primeiro palhaço negro do Brasil. Tizumba, inclusive, já idealizou uma exposição em homenagem a esse ídolo.

Palhaféricos

O projeto “Palhaféricos” ainda prevê a realização de um espetáculo teatral, oficinas de palhaçaria e técnicas circenses, exibição do documentário “Minha avó era palhaço” e o lançamento de um canal no Youtube, mostrando o trabalho de jovens artistas periféricos e movimentos negros protagonistas de São Paulo.

Essas atividades, porém, ainda não têm data definida, pois dependem de realização de encontros presenciais. Durante a quarentena do Covid-19, a trupe tem ensaiado por meio de videoconferências e promovido encontros virtuais para continuidade da pesquisa.

O projeto surgiu a partir do espetáculo “Palhaféricos”. Dirigido por Sérgio Marques e Hugo Carvalho, mostra um cortejo cênico que provoca uma imersão na linguagem das brincadeiras e manifestações populares do Teatro de Rua e do Circo-Teatro, resgatando a trajetória de Benjamin de Oliveira e Maria Eliza Alves dos Reis, os primeiros palhaços negros brasileiros, e de outras figuras importantes para a comédia.

“Durante o processo, nos perguntamos sobre quem eram os nomes da comédia negra que nos inspiravam e logo surgiram o Jorge Lafond [mais conhecido pelo personagem Vera Verão] e o Mussum. Assim, podemos dizer que eles também permeiam nosso trabalho”, conta Sérgio Marques, diretor e preparador do elenco.

Para o coletivo, a busca por referências não europeias e não brancas também levanta questões sobre identidade:

“A ideia é que os personagens embarquem em uma jornada em busca de algo que falta em sua identidade. Nesse sentido, outras referências importantes são ‘O Mágico de Oz’ e ‘Saltimbancos’. Dessa forma, também conseguimos discutir questões sobre negritude e colorismo”, comenta Marques.

O elenco é composto por Jamile Nunes, Matheus França (que também integrou o elenco do bem-sucedido musical “Bertoleza”, da Gargarejo Cia. Teatral), Humberto Vicente, Letícia Tancredo e Willian Santana. O cenógrafo e figurinista é o Rodrigo Alcântara.

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