No Rio, Yeasteria fecha vítima do Covid-19

No Rio de Janeiro, um primeiro estabelecimento cervejeiro anuncia o fim das atividades,  vítima do Covid-19. No final do mês, o Yeasteria, na Tijuca,  fecha as portas. Não se trata, porém, de um adeus. 

 

Um dos sócios, Paulo Mello explica que  vai “repensar o modelo de negócio” da empresa. Na sua opinião, o futuro pós pandemia chegará com mudança de  hábitos de consumo e ele não enxerga o seu bar, em pleno funcionamento, nessa nova realidade.

 

“O Yeasteria comporta cem pessoas sentadas. Acredito que essa quantidade de gente bebendo junta não será possível em um futuro próximo. Servimos cada cerveja no copo da cervejaria. Teríamos que passar a servir em copo descartável. Deixamos livros à disposição dos clientes. Como higienizar os livros? Além disso, temos uma carta com 400 rótulos, muitos importados, e o dólar, agora, está quase R$ 7,00. As bebidas ficarão muito caras em um período que talvez muita gente fique sem grana. Não vai mais fazer sentido o modelo de negócio que montamos”, observa  Paulo.

 

Ele bem que tentou se adaptar aos tempos pandêmicos. Paulo conta que seu “marco zero” foi no último dia 17 de março, quando aconteceria o evento Sem Patrick Day. Ele não costumava comemorar o dia de São Patrício com o folclórico chope verde, mas caprichava nas opções para o público, inclusive, com a inclusão no cardápio de comidas típicas do Reino Unido.

 

E eis que o impensável aconteceu: a Irlanda cancelou a sua mais do que tradicional festa em comemoração ao seu santo padroeiro. Também não teve evento no Yeasteria e foi montada uma pequena operação de guerra para escoar, por delivery, todo o extra que tinha sido preparado para o evento.

 

Em seguida, férias coletivas. Na volta ao trabalho, Paulo conta que o delivery até funcionou bem, no início, mas o movimento foi caindo conforme mais estabelecimentos passaram, também, a oferecer suas entregas. Feitas contas e projeções, ele chegou à conclusão que  o negócio, em breve, deixaria de ser sustentável. E decidiu fechar as portas.

 

“É melhor fazer isso agora, enquanto tenho caixa para pagar os quatro funcionários. Nessa volta ao trabalho, estava assustado com a possibilidade de que algum funcionário pegasse a doença. É uma decisão muito dolorosa. Estamos vivendo um ambiente de guerra e, depois, tudo pode ser ainda pior”, comenta.

 

Com muitos copos e várias garrafas dos cerca de 300 rótulos em estoque, o Yeasteria vai manter suas vendas online, pelo site do estabelecimento.  Ao contrário da maioria dos players do mercado de cerveja artesanal, o bar já tinha um serviço de delivery, feito por aplicativo próprio. Em paralelo a essa atividade, os sócios vão quebrar a cabeça para desenvolver um novo negócio.

 

O Yeasteria funcionou por cinco anos. Levou três anos para sair do papel. Foi Luciana Maranhão, sócia e esposa de Paulo, quem teve a ideia do nome – um trocadilho com a palavra “fermento" (yeast), em inglês. O amigo Igo Lopes completa o trio de sócios.

 

O casal é mestre cervejeiro e beer sommelier. Ter um espaço que ampliasse a cultura cervejeira do público fazia parte do negócio. Do layout do bar ao cardápio, passando pelo serviço, tudo era pensado para proporcionar esse tipo de experiência para o consumidor – sem, didatismo ou pedantismo, mas com atenção aos detalhes e ao atendimento, até para que as pessoas tivessem autonomia para fazer suas escolhas sozinhas.

 

Abrir um bar com esse perfil na zona norte do Rio de Janeiro foi uma opção “racional”. Foi onde encontraram um espaço com o tamanho que precisavam que coube no orçamento. Além disso, como Paulo lembra, a Tijuca e arredores chegaram a formar um polo cervejeiro que, durante uns bons três anos, agitou aquela região da cidade.

 

O Covid-19 deu um baque nos negócios, mas é fato que o cenário já não vinha bem. Segundo Paulo, ano passado, já foi um ano “muito ruim”, em termos de movimento.

 

Para o futuro, ele acredita que o novo padrão de consumo, em termos de cervejas especiais, passa pelo preço das bebidas. Nesse momento, com as cervejarias vendendo direto para o consumidor e fazendo promoções para escoar a produção, os preços foram achatados. Na sua opinião, mais para frente, a tendência é o consumidor se assustar ao se deparar com os novos preços que devem vir a ser praticados.

 

Como dono de bar, ele não critica as cervejarias por venderem direto para o público, neste “momento de guerra”. Mas se reserva o direito de não entrar em “guerra de preço”.

 

“Não poderíamos fazer uma pausa com o bar montado e tudo dentro. Quem não entender que os  hábitos vão mudar, que muita coisa vai mudar, terá problemas. Vamos encerrar, infelizmente, sem poder fazer um bota-fora. Mas não é um adeus. Estamos dando um até logo”, afirma Paulo.

 

 

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