Com APA de pitanga, bairro paulista quer chamar a atenção para o potencial cervejeiro da região

A Rua Luís de Góis é uma das principais do bairro Vila Clementino, na Zona Sul de São Paulo. Por isso, seu nome foi usado para batizar uma APA de Pitanga. Com ela, empresários locais querem chamar a atenção para o potencial cervejeiro da região. Mostrar que, em termos de craft beer, São Paulo não se resume a Pinheiros e Vila Madalena é o objetivo – com todo o respeito. 

 

A Luís de Góis foi produzida na Alvora Cervejaria que tem fábrica e taproon na rua, desde agosto do ano passado. Cinco bares e uma loja especializada em cerveja artesanal funcionam, atualmente, na área. Criar um tour cervejeiro no bairro faz parte dos planos.

Além da Alvorada, a produção da APA de Pitanga envolveu os bares Brett Bierhaus e a Cervejatorium.

 

“A ideia foi produzir uma cerveja fácil de beber. Decidido que o estilo seria uma APA, buscamos uma fruta que fosse característica da região. Estamos pertos da Serra do Mar, onde há produtores de pitanga. No bairro existe a Rua das Pitangueiras e, além disso, na frente de um dos bares tem uma Pitangueira”, conta Marcelo Mensch, cervejeiro e sócio da Alvorada Cervejaria onde a Luís Góis foi produzida.

 

Ter uma fábrica que permitisse o consumo de cervejas frescas pela vizinhança, com uma distribuição que alcançasse  um pequeno raio do entorno era o perfil de negócio que Marcelo tinha em mente quando decidiu montar a cervejaria.

 

Ex-designer e “apaixonado por cerveja desde sempre”, ele também foi fisgado pelas especiais quando as primeiras marcas importadas começaram a chegar ao país. Disso para cair de amores pelas belgas foi questão de goles. Aprender mais sobre a bebida foi o próximo passo e tome-lhe cursos e viagens.

 

Nos últimos cinco anos, Marcelo deu aulas sobre cerveja no Senac, enquanto fazia suas bebidas na panela de casa. O sucesso da produção caseira acendeu a ideia de partir para algo profissional. Tendo o lema do “beba local” como norte, planejou durante dois anos o negócio ao lado do sócio, o engenheiro de produção Alexandre Uema. Juntos montaram, literalmente, quase toda a fábrica.

 

“Tento fugir dos modismos. Sou mais purista. Quero fazer cerveja para quem já consome artesanal e também para quem não consome. É preciso tirar aquele medo do público de que é uma cerveja cara e catequizá-lo no consumo da artesanal. Só assim, nosso mercado vai aumentar”, comenta Marcelo.

 

A Alvorada tem capacidade para 2.500 litros por mês. No taproom com 12 torneiras, algumas são destinadas às receitas mais experimentais. Morador da área, ele aproveitou o fato da legislação permitir a construção de uma pequena cervejaria no local e cravou sua bandeira na Vila Clementino.

 

É possível que a refrescante cerveja Luís de Góis ganhe um terceiro lote. Depois, sairá de cena e o bairro ganhará um novo rótulo para representá-lo, com um perfil mais “adequado” para dias mais frios. No próximo verão, a APA de Pitanga retorna para a Vila Clementino. Enquanto isso, parte da renda obtida com a venda da “cerveja do bairro” é destinada a uma casa de repouso local.

 

“Foi a Rua Luís Góis que nos uniu. Queremos manter esse movimento e atrair tanto o público da região como, também, de fora do bairro. Vai ser bom fazerem as pessoas circularem mais pela cidade”, afirma Marcelo.

 

                 Da esquerda pra direita: Freddy Machado (Cervejatorium), Michael Schnurle (Brett Bierhaus)

                  Marcelo Mensch(Alvorada), Alexandre Rocha (Brett Bierhaus), Alexandre Uema (Alvorada) e

                  Alexandre Oda (Cervejatorium)

 

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