Livro revela histórias do bairro carioca de Botafogo

Um bairro cuja criação se confunde com a fundação da cidade do Rio de Janeiro e guarda até hoje, mais de 400 anos depois, muitas Histórias. Casarões, vilas, ruas, igrejas e uma grande comunidade são algumas das “pistas” espalhadas pela região que estavam à espera de um olhar curioso que as desvendassem. Foi isso que fez o jornalista Antonio Augusto Brito e o resultado pode ser conferido no livro “Histórias de Botafogo” (editora Nova Aliança) a ser lançado na sexta-feira (17), às 19h, na Livraria da Travessa do bairro. 

 

Ao longo de 158 páginas, 50 crônicas relatam dramas,  crimes, arte, mistério, revoltas políticas e até um triângulo amoroso do high society.

 

“Meu critério para pesquisar e escrever sobre determinado assunto foi a curiosidade”, comenta Augusto, morador do bairro.

 

Em 2017, ele e a esposa, a também jornalista Carla Paes Leme, criaram o site  Curta Botafogo e foi ali que, inicialmente, ele publicou várias das histórias do bairro – ele tem outras 50 prontas, na gaveta.

 

Com uma área de 5 quilômetros quadrados, na zona sul do Rio de Janeiro, Botafogo tem cerca de 100 mil habitantes. O bairro abriga um dos principais cartões postais do Rio de Janeiro: a Enseada de Botafogo, com os morros do Pão de Açúcar e da Urca, além do Aterro do Flamengo, ao fundo. Por quê um canto dessa enseada se chama Mourisco? Augusto, um belo dia, se fez essa pergunta e partiu para pesquisar.

 

A resposta: porque lá, durante um bom tempo, existiu um pavilhão mourisco que se tornou uma biblioteca infantil que chegou a ser dirigida pela escritora e professora Cecília Meireles. Sim, essa é uma das histórias do livro.

 

No coração do bairro, a comunidade Santa Marta, que ocupa o morro Dona Marta, divide o protagonismo de um capítulo com o tradicional colégio Santo Inácio. É por causa da instituição de ensino fundada por jesuítas, em 1903, que a comunidade existe.

 

“Operários que trabalharam na obra de construção do colégio acabaram ocupando um terreno próximo que também pertencia aos jesuítas. Botafogo teve também as comunidades do Pasmado e Macedo Sobrinho. Após um incêndio, os moradores do Pasmado foram levados para Vila Kennedy. Os de Macedo Sobrinho foram removidos para a Cidade de Deus. Os jesuítas não permitiram a remoção do Santa Marta. Não por acaso, a principal rua da comunidade e o centro de apoio social se chamam Padre Veloso, em homenagem ao religioso que foi secretário do reitor das Faculdades Católicas (PUC-RJ)  e um dos principais defensores da comunidade”, conta Augusto, na foto, no Estação Net Botafogo, um dos símbolos do bairro junto com seus vários bares e restaurantes.

 

No seu livro, uma revelação atinge em cheio um dos “patrimônios” do Rio de Janeiro: o biscoito Globo. A iguaria foi criada por paulistas, em São Paulo. Mas só ganhou esse nome por conta de uma padaria do bairro carioca.

 

Está curioso para saber quem formava o triângulo amoroso em um casarão do high society da cidade? A senha é Gaffrée e Guinle – Cândido Gaffrée, Eduardo Guinle e Guilhermina Guinle. O palacete foi demolido nos anos 70 para a construção do Centro Empresarial República Argentina, onde está instalado o consulado Argentino.

 

Aliás, Botafogo hospeda outros 14 consulados, além do Palácio da Cidade, local de trabalho do prefeito do município do Rio de Janeiro, localizado na rua São Clemente 360.

 

O acidente automobilístico em que se envolveram o jornalista e escritor Olavo Bilac e o também jornalista e ativista político José do Patrocínio; o desaparecimento da milionária Dana de Teffé; o assassinato do médico Arnaldo Quintela e um combate em plena rua da Passagem que evitou um golpe militar são mais algumas histórias contadas por Augusto no livro, viabilizado graças à parceria do site Curta Botafogo com o Instituto Brasileiro de Oftalmologia (IBOL), a TGB Imóveis e a Associação de Moradores e Amigos de Botafogo (AMAB).

 

Reza a lenda que o bairro passou a ter esse nome após o primeiro dono da região, Francisco Velho, vender as terras para o amigo João Pereira de Sousa.

 

Por ter ajudado a fundar o Rio de Janeiro, Velho ganhou a área de Estácio de Sá. Vinte e cinco anos depois, vendeu para Sousa, conhecido como "Botafogo", por ter sido chefe da artilharia de um dos principais navios de guerra português. A embarcação tinha 366 bocas de fogo de bronze e passou a ser chamada de botafogo. Oficialmente, o nome do navio era São João Baptista, que atualmente, nome do cemitério do bairro e um dos principais da cidade.


A Livraria da Travessa fica na rua Voluntários da Pátria 97

 

                                               Enseada de Botafogo em pintura de Nicola Antonio Facchinetti (1869)

 

                                                             Para comentar, aqui

 

 

 

 

 

 

 

 

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