Livro conta a história do empenho pela conservação do primata que quase foi extinto, no país

05/12/2019

A combinação de esforços de ambientalistas e a colaboração de fazendeiros, lavradores e residentes do interior do Estado do Rio de Janeiro resultaram em um “case” de conservação que obteve sucesso internacional e apresentou notáveis reflexos sociais. A obra “Uma História de Conservação: A Mata Atlântica e o Mico-Leão-Dourado” que Andrea Jakobsson Estúdio lança, nesta quinta-feira (5), na Livraria da Travessa de Botafogo (RJ) relata como o mico-leão-dourado inspirou uma história de solidariedade e trabalho conjunto que envolveu toda a sociedade local.  

 

O livro, também com versão em inglês, traz ensaio fotográfico inédito de Haroldo Palo Jr (in

memoriam) e texto da jornalista Cristina Serra. São 160 páginas contando a história do primata desde o início da colonização e como se deu o esforço pela sua conservação, recheado com imagens inéditas do mico, que por muito pouco não foi extinto.

 

As fotos de Haroldo Palo Jr merecem um destaque. Um dos maiores fotógrafos de natureza do Brasil, o naturalista cedeu mais de 200 imagens à Associação Mico-Leão-Dourado antes de sua morte, fulminado por um enfarto aos 64 anos, em 2017.

 

Seus registros reforçam a importância do primata para o desenvolvimento da região, já que se trata de um excelente disseminador de sementes e que, com o esforço pela conservação ambiental da região do Poço das Antas, ajuda reflorestar áreas degradadas, gerar água, empregos e oferecer qualidade de vida ao entorno.

 

Chamado pelos índios de sauí-piranga, citados pela primeira vez na famosa expedição do português Fernão de Magalhães (1519) e frequentadores da corte europeia graças ao tráfico de animais silvestres, os micos permitiram à jornalista Cristina Serra navegar pela história da colonização em busca de documentos no Brasil e na Europa. Neles, confirma que viviam em bandos e livres, pela então abundante Mata Atlântica, que cobria o litoral brasileiro - e sofreram com a ação predatória constante desde os primórdios da colonização até os anos 1970, quando chegaram à beira da extinção com a caça e a urbanização de seu hábitat.

 

Foi então que se deu a conjugação de fatores que fez deste um case mundial de conservação ambiental. Micos de cativeiro, oriundos de zoos de todo o mundo, foram enviados ao Brasil para serem reintroduzidos na natureza para ajudar a salvar a espécie.

 

Ainda nos anos 1960, o então caçador Adelmar Faria Coimbra-Filho se apaixonou pelo animal e depôs as armas, transformando-se num dos maiores defensores da espécie ao lado do amigo Alceu Magnanini - que chegou a dirigir o Parque Nacional da Tijuca. O encontro da dupla com o então diretor do Zoológico Nacional de Washington, que organizou um simpósio internacional sobre a preservação da espécie, abriu espaço para a parceria que resultaria na salvação do mico-leão-dourado.

 

O lançamento do livro acontece a partir das 19h. Será precedido de um bate-papo com a autora. A livraria fica na Rua Voluntários da Pátria, 97, em Botafogo (RJ).

 

Leia também: Recém-lançado, livro sobre Mariana traça quadro que mostra porque a tragédia ambiental pode se repetir em Brumadinho

 

Publicado originalmente por Plurale

 

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