Responsável por nova produção de lúpulo em Petrópolis fará workshop gratuito sobre cultivo da planta

Uma nova produção de lúpulo começa a despontar em Petrópolis, cidade serrana do Rio de Janeiro. A Hop Zen é uma iniciativa do cervejeiro Bruno Mazullo, da Imperatriz Bier. Ele vai contar um pouco da sua experiência em um workshop sobre plantação de lúpulo, a ser realizado amanhã (sexta-feira, 4), na abertura do Festival AgroSerra - evento que acontece até domingo, também em Petrópolis.

 

A Hop Zen fica em Valparaíso, bairro da zona sul da “Cidade Imperial”. Em uma área de 60 metros quadrados, Bruno plantou 30 mudas de quatro cultivares: Cascade, Comet, Saaz e um ainda experimental que está sendo desenvolvido na vizinha cidade de Teresópolis, onde ele adquiriu as plantas. O cultivo começou no ano passado e já rendeu uma safra.
 
 
 
“Nesse primeiro momento, cometi alguns equívocos. As plantas cresceram de maneira não uniforme. Com isso, nasceram plantas não uniformes, o que interfere na qualidade do lúpulo. Este ano, fiz uma produção guiada e terei uma colheita mais uniforme”, comenta Bruno, nascido e criado em Petrópolis.
 
Sua primeira safra, colhida quatro meses após o plantio, rendeu 100 gramas de flores frescas. A segunda, que será colhida entre o próximo mês de dezembro e janeiro de 2020, ele acredita que renderá o dobro da quantidade. Sua expectativa é ter ainda uma terceira colheita, em abril do próximo ano. Usar sua produção na fabricação da própria cerveja é a meta.
 
Advogado por formação, Bruno trabalhou por 20 anos na área de administração hospitalar. Em 2013, um primo o convidou para acompanhar uma brassagem. Ele conta que começou naquele momento sua aproximação com a produção artesanal de cerveja e nunca mais parou.
 
“Foi paixão à primeira vista”, conta ele que, no ano seguinte, criou a Imperatriz Bier. “Há quatro anos, vivo totalmente da cerveja”.
 
Quando ainda trabalhava em hospitais, ele ocupou um terreno da família, em Valparaíso, onde construiu sua casa, dentro de um container. Cuidar do jardim no entorno era seu principal hobby. Substituir as plantas ornamentais por lúpulo foi quase que “natural”.
 

No momento, seu “jardim” está em um novo processo de crescimento. Bruno conta que as mudas chegam a subir 15 centímetros, por dia, e a expectativa é que alcancem 6 metros de altura.

 
O início da produção na Hop Zen foi feita a partir de “dicas”, colhidas com um e com outro. Em julho passado, Bruno partiu para Blumenau (SC) para fazer um curso na Escola Superior de Cerveja e Malte com o químico que está se tornando o guru dos produtores brasileiros de lúpulo: Duan Ceola.
 
“Convencionalmente, se dizia que não poderíamos produzir lúpulo no país porque a planta precisa de 12 a 16 horas de luz, o que não acontece na nossa latitude. Porém, já sabemos que as plantas se adaptaram, que a intensidade da nossa luz está substituindo a necessidade de quantidade e muitas coisas também podemos resolver melhorando o solo. Em Brasília, tem casos que a planta não dorme. Estão colhendo três safras por ano e as flores são enormes. Com o tempo essas flores terão sua qualidade reduzida? É preciso estudo. O lúpulo é uma cultura em pleno desenvolvimento no Brasil, mas ninguém vai evoluir se não houver estudos laboratoriais das nossas plantas”, comenta Bruno.
 
No momento, ele aguarda “notícias” sobre as características da sua produção. Em janeiro, ele pretende fazer a primeira cerveja utilizando seu próprio lúpulo. O que ele já sabe é que não
deve esperar muito aroma deles, mas poderá contar com um bom amargor. Sabe também que, pela literatura tradicional, seus lúpulos têm características cítricas. Porém, isso ainda é pouco para que ele defina, hoje, o estilo que produzirá no ano que vem.
 
Ao mesmo tempo em que cuida do seu jardim, Bruno tem orientado uma nova iniciativa, na cidade mineira de Sossego. Para testar as condições do local (em termos climáticos, totalmente diferente de Petrópolis), ele plantou dez mudas. O objetivo é usar o lúpulo para revitalizar uma fazenda de amigos, praticamente abandonada.
 
Ainda no terreno de Valparaíso, até o final do ano, Bruno espera ter concluído o taproom da Imperatriz Bier, a ser instalado em um segundo container. O local já passa por obras de melhorias de infraestrutura para poder receber visitações.
 
Com uma pequena participação na cervejaria Brewpoint, que tem fábrica própria, também em Petrópolis, Bruno não abre mão de se manter cigano:
 
“Busco a fábrica em função da cerveja que quero produzir. Se for um estilo mais tradicional, preciso de mais capacidade. Se for algo mais experimental, vou querer produzir uns 500 litros, no máximo. Além disso, trabalhar com equipamentos e equipes diferentes ajuda muito no aprendizado. Não quero parar de rodar”.
 
 
 
O workshop sobre plantação de lúpulo será ministrado por Bruno, no Palácio de Cristal, sede do Festival AgroSerra, sexta-feira (4), às 19h.
A entrada é franca.
 
Todos os detalhes sobre o festival, aqui
 
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