De iniciante a geek, as dicas de experts para começar a maratona cervejeira do Mondial de la Bière

O Mondial de la Bière Rio começa hoje (quarta-feira, 4), às 16h. No Pier Mauá, estarão reunidos cerca de mil rótulos de cervejas produzidos por 130 cervejarias. Mais uma vez, há grande oferta de sabores ácidos, como as Sour, e as Gose, salgadas e ao mesmo tempo azedas. A modinha da vez é o uso da levedura Kveik, a selvagem viking, presente em várias receitas.

 

Para ajudar as primeiras escolhas, no meio de tanta opção, a tradicional "cola" da Lupulinário, desta vez, foi feita com a ajuda de Daniel Wolff, sommelier de cerveja, juiz internacional de cervejas e fundador e diretor da rede Mestre-Cervejeiro.com; Paulo Junior, jurado do Festival de Confrarias Cervejeiras do Rio de Janeiro, cervejeiro caseiro desde 2014 e sommelier de cervejas desde 2015; André Aguilera, empresário, sommelier formado pela Science of Beer e finalista do reality show Mestre Cervejeiro da Eisenbahn; e Érica Barbosa, fundadora do Marketing Cervejeiro, sommelière de cervejas pela Escola Superior de Cerveja e Malte / Doemens e Mestre em Estilos pelo Instituto da Cerveja, além de também ex-participante do reality da Eisenbahn.

 

Iniciantes

 

Coube a  Daniel Wolff  as dicas para quem está se aproximando das cervejas artesanais. Foi justamente com o objetivo de compartilhar experiências nesse segmento, que ele criou, em 2004, o site de conteúdo Mestre-Cervejeiro.com que, em 2009, se tornou uma rede de lojas físicas, atualmente com mais de 60 unidades em funcionamento, pelo país.

 

Bodebrown Speckulaas Biscoito Belga:

“Já pensou em beber uma cerveja que é tão rica em sabores que lembra uma sobremesa? Sim, prove a Bodebrown Speckulaas e dê um passeio pelas sobremesas belgas”. 

 

Fuller’s Espresso Stout:

“Adoro a elegância das cervejas inglesas. Ainda mais da Fuller’s, uma das minhas cervejarias preferidas. Esse rótulo da Fuller’s leva café numa base de cerveja tipo Stout com aveia”. 

 

Stone Delicious IPA:

“Se quiser provar uma autêntica IPA Americana, feita por uma das mais revolucionárias cervejarias estadunidenses, a dica é: prove essa Stone”.  

 

Hocus Pocus Supersymmetry:

“A Hocus Pocus não brinca em serviço. Se você quer sentir toda a potência de uma NE Tripel IPA, vá de Supersymmetry”.

 

Three Monkeys Paranoid About Popcorn:

“Quer provar algo muito diferente? Então vá na linha Paranoid da Three Monkeys e prove, entre elas, a Paranoid About Popcorn, uma Russian Imperial Stout com adição de chocolate, avelã, nozes e pipoca doce”.

 

“Neste ano, o Mondial de la Bière está muito bem servido. Fica até difícil escolher cinco rótulos para o público provar. De qualquer fiz uma seleção, mas existem dezenas de outras cervejas que não estão nessa lista, mas que também vale a pena serem provadas. Aqui fica sendo uma breve diretriz para se iniciar os trabalhos. Aproveitem, mas lembrem-se, sempre com muita moderação”, comenta Daniel Wofff que, como juiz de cervejas, participou de competições nacionais e internacionais como Brussels Beer Challenge, South Beer Cup, Concurso Brasileiro, Concurso Eisenbahn e Concurso Agrária.

 

Intermediário

 

Como explica Paulo Junior, existem fases pelas quais todo mundo passa na sua experiência de degustação cervejeira. Em geral, segundo ele, os "novos convertidos" se aventuram em estilos de baixa complexidade, como as variações de Pilsens, as cervejas de trigo alemãs conhecidas como Weizenbier e as belgas leves e frutadas, caso da Witbier.

 

"Essa gradação é resultado de uma mistura de curiosidade com um certo medo de sair da própria zona de conforto, optando assim por sabores menos agressivos e que não causam muito estranhamento. Com o tempo, é normal que os já iniciados comecem a buscar por outros tipos de experiência. É aí que entram as cervejas de transição. São estilos que trazem sabores menos comuns ou maior intensidade", observa.

 

Ele acrescenta que, nesta fase, características como acidez, teor alcoólico e amargor começam a ser descobertos e explorados, fazendo com que a experiência seja decisiva para que o novo cervejeiro percorra o caminho de volta para as mainstream ou se apaixone de vez pelo universo das cervejas artesanais. Para "contribuir para trazer cada vez mais novos apaixonados para o lado craft da força", ele fez as seguintes sugestões:

 

 

 

Fuller’s ESB:

“A escola inglesa é sempre um bom caminho para quem pretende se aventurar em cervejas não muito comuns no dia a dia do brasileiro. E a Fuller’s ESB é um clássico que não pode deixar de ser experimentado por quem ainda não teve o prazer de conhecê-la. Trata-se da cerveja que deu nome ao estilo Extra Special Bitter, ainda nos anos 1970, com seu perfil maltado evidente, trazendo notas de biscoitos, toffee e caramelo, equilibrado por um amargor moderado e sabores terrosos e florais típicos de lúpulos nobres ingleses.

 

 

 

 

Inesperada Belgian Golden Strong Ale:

“Até o início dos anos 2000, os clássicos belgas gozavam de grande prestígio nos bares cervejeiros mais tradicionais do Brasil. E um dos estilos que mais faz sucesso entre os iniciados são as chamadas Belgian Golden Strong Ale. Caracterizada por seu elevado teor alcoólico, com sabor razoavelmente frutado, amargor moderado e final seco, este tipo de cerveja se consolidou no início do século XX com a criação da aclamada Duvel, primeira cerveja do estilo a ser lançada. A nanocervejaria carioca Inesperada estará em um dos stands do Sebrae apresentando para o público a sua leitura deste estilo”.

 

Masterpiece Pale Ale:

“Nenhum estilo se adequa tão bem quanto a American Pale Ale, a popular APA, para quem está começando a descobrir as maravilhas trazidas pelos lúpulos. Com aroma proeminente e amargor moderado, limpo e equilibrado por uma discreta base maltada, esse tipo de cerveja geralmente traz aromas de frutas cítricas e tropicais, características comuns dos lúpulos americanos normalmente usados em suas receitas. Nascida em Niterói, a cervejaria e brewpub Masterpiece estreia no evento com sua Masterpiece Pale Ale, onde o destaque fica por conta do lúpulo Citra”.

 

Criatura S.O.U.R.:

“As cervejas ácidas tomaram conta do mercado nos últimos anos e podem ser uma boa pedida para quem quer fugir do amargor, sem necessariamente abrir mão da complexidade de sabores e aromas. Conhecidas como Sour, possuem vários subtipos e, entre eles, o estilo alemão Gose talvez seja o mais apropriado para começar a se aventurar entre as azedinhas, por trazer um perfil lático discreto, que costuma ser menos agressivo ao paladar humano, além de muita refrescância com alta carbonatação e um leve final salgado. A recém-criada cervejaria Criatura decidiu ousar e trouxe logo cinco versões deste estilo, adicionando ingredientes que vão desde frutas como caju, cupuaçu e framboesa, até outros mais inusitados como sal, calda de açúcar queimado e tequila”.

 

Viper Drakkar:

“Um dos sinais de evolução do paladar para o cervejeiro amador é desenvolver o gosto por cervejas escuras. Nesse sentido, uma das formas mais fáceis para começar a apreciar os sabores de maltes torrados é com as Irish Dry Stout, cervejas leves e de alto drinkability, com aromas e sabores que remetem principalmente a café e cereais tostados. Pensando nisso, a Cervejaria Viper e o brewpub Narreal se juntaram para criar uma receita inovadora, assinada pelo experiente cervejeiro Pedro Ribeiro, contendo noz moscada, pimenta do reino e fermentada com leveduras Kveik, que são a mais nova moda do mercado craft beer”.

 

Geeks

 

Os dois cariocas que já participaram do reality show Mestre Cervejeiro da Eisenbahn foram  "escalados" para indicar os rótulos que irão encantar os já apaixonados por cerveja artesanal. 

 

André Aguilera, que atualmente ministra aulas de produção de cerveja artesanal caseira, dará o próximo curso no dia 21 de setembro, na Ilha do Governador (RJ). 

 

Bodebrow - 4-Blès envelhecida por 4 anos em barril.

“Uma Dark Strong Ale produzida com 4 tipos de trigo diferentes. Além de damascos, tâmaras e chips de carvalho em sua composição. Só existem 1.654 garrafas numeradas, dessa cerveja, então, vale a pena ir no stand da Bodebrown e provar essa iguaria”.

 

Antuérpia - Rock me Baby.

“Barleywine com coco queimado e baunilha. A já premiada cerveja da Antuérpia, medalha de ouro no Mondial de La Biere Sao Paulo, está de volta. Com seus 12% de ABV bem inseridos, tudo esta na medida certa. O equilíbrio do coco com a madeira está espetacular. Vale a pena conferir”.

 

Salvador Hazelnut Espresso Affogato.

“Imperial Stout de 12% de ABV. As cervejarias Salvador (RS) e 5 Elementos (CE) juntam forças e lançam esta série de Imperial Stout, que vai te remeter a experiência da famosa sobremesa Affogato. Estará plugada no Serpentina bar”.

 

Thirsty Hawks Farm Brewery Avrake.

“Uma Juicy IPA de 6,3% de ABV fermentada com o fermento viking Kveik, sensação do momento, que junto com a  combinação dos lúpulos Galaxy, Citra e Ekuanot, trazem um perfil de frutas amarelas vindo da levedura e de maracujá, pêssego, toranja e lima vindo da lupulagem. Vale se aventurar!”.

 

Brewlab Aristocrat vintage 2018. “É uma English Barleywine envelhecida em barris de vinho do porto. Já provei essa e eu recomendo muito”.

 

 

 

Érica Barbosa optou por destacar marcas e comentar sobre alguns de seus rótulos que, na sua opinião, vão agradar os geeks. No próximo dia 22, ela ministra workshop sobre Marketing Digital para Negócios Cervejeiros.

 

Dádiva (Várzea Paulista/ SP)

"Está com uma variedade fantástica de cervejas envelhecidas e com adições, com rótulos próprios e de ciganas que produzem na cervejaria. Recomendo a Pink Lemonade e a Black Anthrax Capsicum, da cigana Quatro Graus. Estou curiosa para conhecer a Kveik One, uma IPA com o fermento do momento".

 

Three Monkeys (Rio de Janeiro/ RJ)

"Muitas cervejas inovadoras e diversas colaborativas. Adoro a Gazpacho, uma Gose com picles de pepino e tomate, e a I’m Sour, uma Sour com pitaya e goiaba. Quero muito provar a Saison Au Champignon, collab com o Narreal Brewpub".

 

Antuérpia (Matias Barbosa/ MG)

"Tem se destacado com cervejas premiadas e diversificadas. Adoro a Quintal Jabuticaba e Nikita Cherry Hickey. Vou aproveitar o Mondial para degustar a versão Wood Aged da Cherry Hickey, que além do envelhecimento, tem adição de maple".

 

Bodebrown (Curitiba/ PR)

"Sempre com ótimas cervejas, neste ano trouxe uma boa variedade com preços bem atrativos. Recomendo a Gigantes de Olinda, Brut IPA Eldorado, Regina Sour e 4-Blès envelhecida por 4 anos em barril"

 

Backer (Belo Horizonte/ MG)

"Traz rótulos clássicos que nunca saem de moda. Sou fã da Reserva do Proprietário e da Bravo, uma Imperial Porter maturada em barril de umburana, que já ganhou medalha de platina no MBeer Contest".

 

 

Serviço

Mondial de la Bière Rio
Data: 4 a 8 de setembro 
Horário: 4, 5 e 6 de setembro: das 16h à 0h | 7 de setembro: das 14h à 0h | 8 de setembro: das 12h às 21h.
Local: Píer Mauá, Armazéns 2, 3 e 4 | Avenida Rodrigues Alves, n° 10, Saúde, Rio de Janeiro.
Ingressos: Entre R$ 45,00 e R$ 120,00. Vendas pelo site 

 

 

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