Livro reconstitui a história da Amazônia e narra a origem dos seus nove Estados-nação e centenas de etnias

Eternamente cobiçada, muito falada, pouco estudada. Amazônia, o quanto de sua História conhecemos? Um livro recém-lançado joga luz na região a partir de pesquisas feitas por Márcio Souza. Nascido em Manaus, o escritor é mais conhecido por suas histórias de ficção impregnadas de realidade local, como “Mad Maria” e “Galvez, Imperador do Acre”. Em “História da Amazônia - Do período pré-colombiano aos desafios do século XXI” (Record), ele conta sobre as origens do homem amazônico, os vários modelos coloniais a que a região foi submetida, sua Idade do Ouro, abandono, narcotráfico e conflitos de terra. Lendas fazem parte. Afinal, não é qualquer lugar do mundo que tem vocação para ser o Eldorado.

 

 

 

 

“A história da Amazônia é um processo social entrecortado pelas relações sociais e de poder político de nove Estados-nação e centenas de etnias, sem esquecer os diversos grupos sociais de interesse, de todos os tamanhos, nacionais e internacionais”, escreve Márcio Souza, na abertura do livro.

 

Segundo sua avaliação, até agora, a história da região tem sido contada de forma  “fragmentária, por gente da metrópole, por cientistas da América do Norte e da Europa, por professores oriundos das universidades nacionais”, e essa narrativa marcou “para sempre” a forma de ler os fenômenos sociais da região.

 

 

 

 

 

 

 

“A região não é apenas uma geografia, e sua história é muito mais que um viveiro de criaturas exóticas de futuro incerto. É a história de uma parte do planeta habitada por seres humanos que, sendo geografia, também é um espaço em que a humanidade pode aprender um pouco mais sobre si mesma”, afirma ele.

 

Romancista, diretor de teatro e ópera, Márcio Souza, de 73 anos, estudou Ciências Sociais na Universidade de São Paulo. Ex- diretor da Biblioteca Nacional e presidente da Funarte, foi professor assistente na Universidade de Berkeley (EUA), convidado para ministrar, entre outros cursos, “Imagens da Amazônia”.

 

Ao ter que indicar bibliografia para seus alunos, se deu conta de que precisaria juntar vários livros para “montar” a história da região. Resolveu ele mesmo fazer uma “Breve História da Amazônia” cuja primeira edição data de 1994. De lá para cá, o livro ganhou acréscimos e já não era mais tão “breve” assim. Decidiu, então, que era hora de atualizar essa História.

 

Com 391 páginas, “História da Amazônia - Do período pré-colombiano aos desafios do século XXI” observa, entre outras coisas, que aquela região guarda mais biomassa do que qualquer outro hábitat da Terra, e que esse ambiente ficou intocado desde os tempos pré-históricos. Isso significa, segundo o autor, que andar em certas partes dessa área equivale a saber como era o nosso planeta há 70 milhões de anos. Foi na Amazônia que, há 120 milhões de anos, durante o período Cretáceo, que as primeiras florestas se abriram.

 

“Para o futuro da Amazônia, não há diferença em criar uma reserva-extrativista ou desmatar a selva para plantar soja. Ambas são parte da mesma retórica, da mesma inconsequência”, comenta o autor.

 

Essas e outras questões ele vai abordar no debate “Amazônia, terra de quem?”, a ser realizado na próxima quinta-feira (5), às 17h, na Bienal Internacional do Livro Rio, no Riocentro. Ao lado do escritor estarão o jornalista americano Larry Rohter e o sociólogo e cientista político Sérgio Abranches. A mediação será do jornalista Agostinho Vieira.

 

 

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