Lúpulos de fazenda de Taguaí são testados em rótulos colaborativos que chegam ao mercado paulista

Em uma fazenda em Taguaí, no interior de São Paulo, os proprietários plantaram 1.350 lúpulos de diferentes espécies, em uma área de 6 mil metros quadrados.  Três meses depois, fizeram a primeira colheita: 250 quilos de planta seca.  A quantidade superou expectativas a ponto de criar problemas de armazenamento. Doar lúpulo para produções colaborativas foi a forma encontrada não apenas para escoar a produção, mas para testar a qualidade da planta. É por essas e por outras que a logomarca do Lúpulos Dalcin está presente em cinco rótulos, atualmente - seriam seis se a primeira produção tivesse sido envasada, ao invés de ter ficado somente no barril.

 

 

 

A iniciativa de plantar lúpulo partiu dos irmãos Dalcin Leandro (esquerda na foto) e Adriano (direita). Apesar de donos da terra, eles moram na cidade de São Paulo, distante 320 Km de Taguaí, onde são proprietários de uma empresa de funilaria e pintura de carros. Eles nem poderiam imaginar como a experiência com carros os ajudaria, no futuro, com os lúpulos.

 

Leandro conta que, em 2016, começou a produzir cerveja em casa, por hobby. Como o lúpulo é o ingrediente mais caro da receita, “pensou com seus botões” que poderia usar suas terras para plantar lúpulo e baratear suas produções.

 

“Eu não sabia nada sobre lúpulo, só que eram importados e caros. Um amigo, com quem tinha comentado sobre a vontade de iniciar a plantação, foi a um evento cervejeiro em Blumenau e se deparou com stands de viveiros. Acabei comprando mudas de um viveiro de Santa Catarina”, conta Leandro que contratou um engenheiro agrônomo para implantar o projeto.

 

A “resposta” das plantas surpreendeu a todos. A colheita foi três vezes maior do que o esperado e em apenas três meses de plantio. Leandro admite que não estava preparado para a secagem e armazenamento de toda aquela quantidade. Guardar lúpulo na geladeira “de um monte de gente” foi uma solução.

 

Outra foi distribuir. Uma boa quantidade seguiu para o químico Duan Ceola, professor da Escola Superior de Cerveja e Malte, que tem analisado o perfil sensorial dos lúpulos brasileiros para os produtores. 

 

Os primeiros cervejeiros que experimentaram os Lúpulos Dalcin foram da Avós que produziram uma India Pale Lager com arroz vermelho. Recentemente, foi a vez da Goose Island (Ambev) que lançou a Fresch Hop IPA. No momento, a American Amber Ale Febre está em produção colaborativa entre as cervejarias Cuesta e Carranca. Será a segunda experiência da dupla que fez, primeiro, a 40 Graus, uma American Amber Ale com Columbus. O novo rótulo terá um mix de Cascade, Mittelfruh e Chinook.

 

 

   

Segundo Leandro, dentre os cultivares produzidas na Lúpulos Dalcin,  o Comet  foi o que mostrou melhores índices sensoriais, até agora: 11 de alfa-ácido (os importados costumam ter 8) e 1.87 de óleo.

 

Ele tem uma tese para explicar a grande produtividade das suas terras: durante mais de 30 anos, foram usadas pelo pai para confinamento de gado. Ou seja, tem esterco acumulado, o que as tornaram muito férteis.

 

“O que percebo dos nossos lúpulos é que dá um frescor na cerveja, até porque são lúpulos muito novos. O amargor é sutil”, comenta ele que, agora, usa suas próprias plantas nas suas produções caseiras.

 

Até o momento, os irmãos investiram R$ 110 mil na produção de lúpulo e ainda não tiveram retorno financeiro. Porém, a boa safra animou a família. Eles já correm atrás do MAPA para comercializar as plantas e pensam em ampliar a plantação para outros 6 mil metros quadrados da mesma fazenda.

 

De todo processo, Leandro afirma que a colheita foi o momento “mais complicado” pela quantidade inesperada e a falta de equipamentos. Se a primeira solução foi pedir tudo emprestado, agora, eles estão construindo suas próprias máquinas. A secadora já está pronta e a primeira parte de uma peladora também. A peletizadora  ainda está em fase de projeto. Leandro admite que 20 anos trabalhando com reparos de automóveis estão sendo bem úteis para tirar todos esses equipamentos do papel.

 

"Eu sou a prova que é possível, sim, produzir lúpulo no Brasil. Talvez a gente tenha que melhorar as plantas, fazendo ajustes na terra com uso de nutrientes. Seja como for, nossos lúpulos terão nossas características, as características das nossas terras. E isso tornarão nossos lúpulos diferentes e acredito que o pessoal lá de fora vai se interessar em usá-los para criar cervejas diferentes”, avalia Leandro.

 

 

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