Livro provoca mulheres de 50 anos a se lançarem na aventura do autoconhecimento

Qual a pergunta mais importante que você se fez no último ano e por que ela é importante?  Essa foi a “provocação” que serviu de ponto de partida para um estudo sobre e com mulheres da faixa etária de 50 anos. O resultado não gerou uma tese acadêmica, mas um livro que tangencia a poesia. “Festina Lente – Apressa-te lentamente”  (Autografia Editora) foi escrito pela poeta e socióloga Ana Cristina Leonardos e pela psicóloga e fotógrafa Martha Scodro que também assumiram o papel de pesquisadoras, neste trabalho. O lançamento será na próxima segunda-feira (12), às 19h, na Livraria Travessa do Leblon, no Rio de Janeiro.

 

Conhecer melhor as mulheres de 50 anos foi uma vontade de Ana, ela mesma, atualmente, com 59 anos. Uma vontade antiga, que bateu pela primeira vez há 16 anos, sob impacto da leitura de “Perdas e Ganhos”, de Lya Luft, livro em que a autora divaga sobre temas como velhice, família e liberdade.

 

Quatro anos após essa  leitura, Ana participou, como entrevistada, de uma série de encontros promovidos pela antropóloga Mirian Goldenberg, com mulheres entre 50 e 60 anos, para a produção do livro “Coroas”.

 

“Acho que eu era a mais jovem do grupo, com 47 anos. Ouvi muitas falas e fiquei impactada. Logo depois, fiz uma cirurgia e durante um pós-operatório chatinho, refleti muito sobre a questão da finitude e da fragilidade corporal. Na época da pesquisa com a Mirian, ela dava um enfoque para o corpo mais com capital social. Eu me peguei pensando mais sob o lado de projetos, se as mulheres estão cientes de que, aos 50 anos, temos uma outra fatia de vida; se estávamos enxergando esse horizonte ampliado à nossa frente”, conta Ana.

 

Com essa ideia na cabeça, ela buscou respostas em outros livros, mas não se sentiu satisfeita.  Perguntar para as próprias mulheres como elas se sentiam e o que desejavam lhe pareceu o melhor caminho. Assim, em 2014, convidou a psicóloga Martha para dividir com ela o desafio de pesquisar  esses assuntos “que mexeriam com sentimentos fortes”, como diz.

 

O “trabalho de campo” não seguiu um método rigoroso de pesquisa. O importante, segundo Ana, era conseguir encontrar mulheres dispostas a falar sobre suas experiências. As buscas partiram das redes sociais das próprias Ana e Martha. Depois, uma mulher foi convidando uma amiga. No final, juntaram 66 delas que se reuniam em grupos de 12 a cada “rodada” de conversa.

 

Muitos dos encontros aconteceram na casa da Martha, no Leblon,  na zona sul do Rio. Ana explica que as pergunta que nortearam a investigação só eram feitas depois de duas horas de uma dinâmica que envolvia arte, poesia e literatura.

 

Quando os assuntos começaram a se repetir nos grupos, a dupla de pesquisadoras entendeu que era hora de encerrar essa etapa e partir para a análise de tudo o que tinha sido falado e vivido. De acordo com Ana, foi possível identificar cinco “questões” surgidas a partir das falas, que foram batizados como Conexão Interna, Balanço de Vida, Em Movimento, Busca Espiritual e Projeções:

 

“Percebemos que as mulheres já estavam em busca de descobrir quem, de fato, eram; estavam revisitando suas trajetórias e se preparando para encarar novas fases e desafios. Percebemos que muitas também passavam por um momento em que davam mais atenção a respostas fora do que era visível e, claro, se preocupavam de como seriam quando estivessem mais velhas”, explica Ana.

 

Essa preocupação, segundo a socióloga, passava também (ou principalmente) pela questão financeira. Sexualidade? Não, essa questão, afirma, não foi exposta. Na opinião de Ana, houve inibição pelo fato de mulheres serem conhecidas entre si, nos grupos. Manter ou não o casamento foi o mais próximo que se chegou do tema. Família, trabalho e disposição física foram os assuntos que mais dominaram as conversas.

 

Resultado de cinco anos de trabalho, o livro, na definição de Ana, é um “pequeno exemplo de falas de mulheres” e não um “trabalho definitivo sobre mulheres”. Ela, que teve seu segundo filho aos 40 anos, admite que se colocou, muitas vezes, mais no lugar da fala do que da escuta. E ainda pretende aprofundar as questões debatidas ao longo do trabalho.

 

“Quero que o livro tenha desdobramentos. Estamos vivendo uma revolução demográfica. Os jovens não dominam mais a base da pirâmide. É preciso ter um olhar para essa faixa etária que ainda tem muitos desejos e vontade de produzir. No caso das mulheres, o livro sugere que ela deve apressar o passo para se conhecer melhor. A partir daí, com calma, redefinir e priorizar suas ações”, afirma Ana, à esquerda na foto - Martha não participou da entrevista por estar, à época, em viagem no exterior.

 

A Livraria Travessa do Leblon fica na Avenida Afrânio de Melo Franco, 290, loja 205.

 

 

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