Executivo da Heineken explica a política da empresa para democratizar o consumo das artesanais no país

 

 

Como aconteceu no Mondial de la Bière em São Paulo, a Eisenbahn vai dividir seu espaço no Mondial de la Bière Rio com duas marcas locais. Parceria, sim; aquisição não, como informou Alexandre Du Rocher Candido,  diretor de craft beer da Heineken.

 

No mês passado, ele foi eleito Personalidade da Cerveja 2019. Em entrevista para Lupulinário, também confirmou que o grupo manterá as pesquisas relacionadas ao desenvolvimento do lúpulo brasileiro Mantiqueira, iniciadas pela Brasil Kirin.

 

 

Engenheiro agrônomo, Alexandre já passou por empresas como a Companhia Muller de Bebidas, Pernod Ricard Brasil e Camil Alimentos, antes de entrar na Brasil Kirin, em maio de 2015, como Gerente de Craft Beer. Após a aquisição da companhia pelo Grupo HEINEKEN no Brasil, em 2017, o executivo assumiu o cargo de diretor de Craft Beer, no qual permanece até hoje. 

 

"A ideia é incentivar outras marcas de cervejas artesanais a divulgarem os seus respectivos produtos e marcas e, assim, aumentar a oferta de estilos, opções e disponibilidade para o consumidor. Isso só é possível, pois o senso de comunidade e compartilhamento, entre as cervejarias, é o grande prêmio", disse ele, em entrevista feita por e-mail.

 

 

Como avalia ter sido escolhido ser Personalidade da Cerveja 2019?

AC: Eu fico lisonjeado e reconheço que este é um fruto de um trabalho que só seria possível realizar dentro do Grupo HEINEKEN, que incentiva o protagonismo dos colaboradores, fazendo parte da estratégia e pilares da companhia.

 

Na justificativa, foi dito que o que motivou a escolha foi seu trabalho de “difusão das microcervejarias no país, com o intuito de democratizar o mercado”. Quando esse tipo de política foi adotada e que ações considera terem sido vitoriosas, neste sentido ?

AC: O projeto foi iniciado em 2015, com o objetivo de democratizar o consumo de cerveja artesanal. Para isso, entendemos e identificamos a importância de oferecer ao consumidor informação de qualidade e acessibilidade para escolher estilos, e assim provar novos sabores e promover a experimentação do portfólio.

Além disso, acreditamos que a verdadeira democratização não precisa acontecer somente no produto. Ela também é demonstrada no entendimento e apoio do Grupo HEINEKEN para a comunidade de cervejas artesanais, e a partir desse momento, decidimos compartilhar as nossas plataformas para outras marcas regionais, os nossos eventos, como por exemplo o ‘Eisenbahn Mestre Cervejeiro’, que promovemos há 10 anos e que tomou formato de reality show nos últimos três anos. 

A ideia é incentivar outras marcas de cervejas artesanais a divulgarem os seus respectivos produtos e marcas e, assim, aumentar a oferta de estilos, opções e disponibilidade para o consumidor. Isso só é possível, pois o senso de comunidade e compartilhamento, entre as cervejarias, é o grande prêmio. Todos os que participam ganham nesse formato de trabalho, pois o consumidor ganha com a acessibilidade a diferentes marcas e sabores, e nós compartilhamos troca e conhecimento com os nossos parceiros.

 

No último Mondial de la Biere em SP, marcas pequenas foram convidadas a dividir o estande da Eisenbahn. Isso se repetirá no Rio?  Qual o critério usado para escolher os convidados?

AC: Sim, estamos apenas aguardando as aprovações finais. O critério de escolha é geográfico, pois sempre buscamos incentivar a diversidade, pois pode não parecer, mas cerveja tem “sotaque”, ou seja, características e exigências específicas em cada região.

Atualmente, temos muitas cervejarias parceiras que trazem produtos maravilhosos e que são complementares ao portfólio de Eisenbahn e Baden Baden. Esta é uma das oportunidades onde temos a chance de promover a democratização por meio da experimentação, onde o consumidor pode comparar e escolher o que mais agrada ao seu paladar.

Digo que a melhor cerveja do mundo é aquela que o consumidor gosta e sente prazer para determinada ocasião, que também permite a escolha de outros estilos.

 

Faz parte dessa política a compra pela Heineken Brasil de pequenas cervejarias? Alguma novidade neste sentido?

AC: Não faz parte da nossa política. Entendemos que temos um longo caminho de desenvolvimento do mercado através do nosso atual portfólio e estamos nos concentrando nisso.

 

A Brasil Kirin apoiava as pesquisas relacionadas com a produção do lúpulo brasileiro Mantiqueira, feitas em São Bento do Sapucaí (SP), quando foi comprada pela Heineken Brasil. Essas pesquisas continuarão? Em que termos?

AC: Sim, o Grupo HEINEKEN continuará apoiando nos mesmos termos que a Brasil Kirin, pois faz parte do no nosso DNA cervejeiro desenvolver o mercado e fomentar o empreendedorismo cervejeiro.

 

A Baden Baden foi a marca pioneira na utilização desse lúpulo. O que a empresa decidiu em relação a isso? Haverá novas produções com a utilização de lúpulo brasileiro Mantiqueira?

AC: Sim, a Baden Baden é a pioneira e isso só foi possível pela parceria que realizamos com o produtor Rodrigo Veraldi – empreendedor de agronegócio, que é uma mente extraordinária e fantástico. O segredo de sucesso desse projeto foi a combinação perfeita do Rodrigo com os nossos mestres cervejeiros, que desenvolveram produtos ao longo desses últimos quatro anos, que certificam o nosso DNA de cervejeiros apaixonados pelo negócio.

 

 

 

Haverá produções com a utilização de outro tipo de lúpulo brasileiro?

AC: Sim, e recentemente a Baden Baden promoveu três estilos em colaboração com três cervejarias artesanais de três Estados distintos. Fizemos uma Dark Lager em colaboração com a cervejaria Verace (MG), uma American Lager Brasileira com a cervejaria Three Monkeys (RJ) e uma Coffee Sour com framboesa e café com a cervejaria Landel (SP). Isso reforça o nosso papel de promover o conhecimento cervejeiro, estimular outras cervejarias parceiras a utilizar um lúpulo genuinamente brasileiro, pois estamos falando de quase dez anos de pesquisas para conseguir chegar onde chegamos. Isso é motivo de muito orgulho!

 

Como avalia o momento atual do mercado brasileiro?

AC: O Brasil atingiu a marca de 1000 cervejarias de acordo com o registro no Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), e acho que esse fato por si só já demonstra o momento efervescente que estamos vivendo. A cerveja artesanal não é moda, é um negócio relevante, que cresce num ritmo muito mais acelerado que a categoria como um todo e, por ter essa dinâmica diferente, é um mercado desafiador.

 

O que esperar de novidade da sua diretoria para este ano?        

AC: Para este ano temos novidades, que serão apresentadas nos principais eventos de cerveja artesanal. Sempre buscaremos projetos que visam democratizar o consumo de estilos, pois acreditamos que todo brasileiro precisa provar uma cerveja diferente e, certamente, estaremos envolvidos em projetos que proporcionem a experiência sensorial aos nossos consumidores.

 

 

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