Novos donos da LUND ampliam fábrica e negócios cervejeiros sem medo de crise econômica

08/07/2019

Em maio, o anúncio da compra da LUND pela holding BGF Alliance, de Sertãozinho (SP), despertou uma curiosidade no mercado cervejeiro se estaria surgindo mais um investidor de peso, no setor.  Lupulinário conversou por WhatsApp com Bruno Garrefa, um dos donos da empresa, que contou sobre os planos do grupo.

 

A BGF Alliance é uma holding criada recentemente para reunir um complexo familiar. Há 40 anos, Mário Garrefa fundou a Agavic, que produz barris e equipamentos em inox e é um tradicional fornecedor do mercado cervejeiro. A Desthil foi criada há 20 anos. Produz equipamentos industriais, entre eles, um secador para leveduras, que tem sido mais utilizado pela indústria  sucroalcooleira, mas começa a chamar a atenção dos cervejeiros.  Há dez anos, a família se dedica também à compra e venda de sobras industriais em inox.

 

 

Bruno (direita na foto), um dos filhos de Mário (centro), conta que a compra da LUND foi uma “oportunidade”. A cervejaria tem sede em Ribeirão Preto, cidade vizinha a Sertãozinho e as famílias das duas empresas se conhecem há algum tempo.

 

“A família Ali Mere, da LUND, optou por focar seus negócios na área de laboratórios de hemodiálise e estava sem tempo para se dedicar à cervejaria. Nós acompanhamos a LUND desde o início. Vendemos barris para eles. Decidimos comprar para continuar a gestão familiar da marca e diversificar o nosso negócio em um canal diferente”, explica Bruno que conta também com o irmão Breno (esquerda na foto) no comando das empresas da família.

 

A oportunidade do negócio surgiu quando os Garrefa planejavam estruturar um Centro de Desenvolvimento Cervejeiro e Alimentício. Trata-se de uma espécie de showroom para equipamentos, além de um laboratório para prestar serviços para cervejarias – a Desthil  tem uma divisão laboratorial, a Desthilab, que já presta  serviços para diversos segmentos industriais.

 

Os primeiros passos dos novos donos da LUND têm como meta aumentar a capacidade de produção da cervejaria e fortalecer seu sistema de distribuição, inclusive com delivery. Assim, a fábrica, em Ribeirão Preto, começa a receber equipamentos produzidos pelos Garrefa.  Apesar do processo de ampliação, a produção foi mantida. A nova fábrica está prevista para ser inaugurada dentro de um ano.

 

De acordo com Bruno, a capacidade de produção da LUND será ampliada dos atuais 90 mil para 150 mil litros, por mês. No momento, a capacidade ociosa é de 40 mil litros, por mês. Aumentar a presença de ciganos na fábrica faz parte dos planos.

 

Criar rótulos e resgatar algumas produções sazonais da LUND também. Para isso, os novos

donos da marca contam com o antigo cervejeiro da empresa, Evandro Zanini, que foi mantido no posto, além de Bruno Ferreira, bem como todos os 17 funcionários da cervejaria.  A meta da BGF Alliance é investir R$ 10 milhões, em cinco anos, no setor cervejeiro.

 

Um primeiro novo rótulo foi “testado” no mês passado, durante festejos juninos. Segundo Bruno, a Lund Ginger Ale foi um sucesso e vai para o portfólio de linha da marca. O público vai escolher qual sazonal deve voltar “já”.  Para isso, foi criada uma competição e os estilos que disputam a “final” são a Red Ale e a Imperial IPA.

 

“Por enquanto, pensamos em ficar somente com a LUND. Somos conhecidos pela qualidade de nossos equipamentos e produtos. Se é para ter uma cervejaria, que seja a melhor. Sempre trabalhamos nos bastidores das cervejarias e ficávamos com precaução para partir para a nossa própria marca, mas gostamos de desafios. Para nós, a LUND é perfeita”, comenta Bruno.

 

Faz parte do negócio da família uma participação em um dos principais eventos da região: o rodeio de Sertãozinho (4 a 8 de julho). Ironicamente, por lá, LUND não entra porque uma marca mainstream detém a exclusividade de comercialização de cerveja.

 

Investir em um novo negócio, em um momento de crise econômica do país, segundo Bruno, não assusta a família:

 

“Enquanto uns choram, outros vendem lenços. Não podemos nos acomodar, nem desistir. Só se sai da crise gerando movimento”, afirma.

 

 

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