Exposição de Paul Klee chega ao Rio pela primeira vez

Vinda de São Paulo, onde atraiu um público de 180 mil visitantes, a exposição “Paul Klee – Equilíbrio Instável” será inaugurada hoje (quarta-feira, 15) no CCBB do Rio de Janeiro.  Os 120 trabalhos que compõem a mostra fazem parte do acervo de 4 mil obras mantidas por uma organização dedicada ao artista, em Berna, na Suíça, país onde ele nasceu (há 140 anos) e cresceu.  Pinturas, papéis, gravuras, desenhos e fantoches produzidos pelo artista - tido como uma das personalidades mais importantes da arte do século XX, poderão ser apreciados pelo público até o dia 10 de agosto, com entrada franca.

 

A curadoria ficou a cargo da suíça Fabienne Eggelhöfer. Por ser a primeira grande exposição de Klee no Brasil, ela optou por uma apresentação didática, para que o público acompanhe o desenvolvimento do artista, que, em 1902, registrou em seu diário: ‘Eu sou meu estilo’.

 

“Paul Klee é um artista ao qual não podemos atribuir simplesmente um determinado estilo. Embora estivesse em contato com movimentos artísticos como o expressionismo, o cubismo, o dadaísmo e o surrealismo, ele sempre permaneceu independente. Sua arte é única e aberta a diversas interpretações. Ele foi um bom exemplo para as gerações de artistas que o sucederam, já que não propunha um estilo único e definitivo”, comenta Fabienne.

 

 

 

Filho de um professor de música alemão, aos sete anos Klee (1879 - 1940) começou a tocar violino. Porém, aos oito, ganhou de sua avó uma caixa de giz. O menino, então, acabou por optar pelas artes plásticas. Ao terminar seus estudos no ensino médio, em Berna, foi em busca de um grande centro de formação. Em Munique, sua inscrição na academia não foi aceita por não ter sido considerado bom o suficiente no conhecimento de anatomia humana.  Foi estudar na escola particular de desenho de Heinrich Knirr, onde pretendia aprimorar o desenho figurativo, visando à realização de nova prova de ingresso na academia. Logo, porém, percebeu que esse também não seria seu caminho. Não lhe agradava a reprodução de modelos clássicos, em detrimento à livre criação. Acabou por se associar às correntes modernistas, sem imaginar que se viria a marcar a história desse movimento artístico.

 

Modernismo, sim, mas não só. Klee também se sentiu atraído pela angústia do homem moderno nos traços fortes e coloridos do expressionismo; pela a valorização das formas geométricas e do descompromisso com a figuração do cubismo; pela importância da composição inspirada pelo construtivismo, além da abstração e do surrealismo.

 

 “Nos primeiros estágios do trabalho, ele dizia seguir apenas critérios puramente pictóricos ao juntar linha e cor numa forma que gradualmente se configurava”, explica Fabienne. “Entretanto, nada o impedia de aceitar uma associação que lentamente se impusesse e de integrá-la à obra”.

 

Centenário da Bauhaus

 

O ano de 2019 é marcado internacionalmente pela comemoração dos 100 anos de criação da Bauhaus, a mais cultuada escola de arquitetura, artes e design do mundo.  Klee foi um dos expoentes e vanguardistas da

. A exposição apresenta o núcleo “Professor na Bauhaus”, que apresenta Klee no contexto dessa escola alemã. 

 

Criada em 1919 e fechada em 1933 pelos nazistas, os conceitos e investigações da Bauhaus ecoaram infinitamente pelo mundo, reforçando sua influência de forma irreversível, inclusive nos dias atuais. A separação entre as disciplinas artísticas, o emprego do design e a concepção de novos objetos e espaços para uma sociedade mais humana e socialmente mais justa eram alguns dos princípios da Bauhaus.  Klee combinou a sua prática de contestar a pintura tradicional à reflexão sobre a arte pictórica nos anos em que lecionou na Bauhaus. Lá, foi colega do pintor russo Wassily Kandinsky (1866-1944), entre outros.

 

 

 

As características dos trabalhos de Klee incomodaram o ascendente regime nazista alemão, e ele foi considerado autor de “obras degeneradas”. Os ataques nazistas o obrigaram a refugiar-se, com a esposa Lily Stumpf, na Suíça, depois de ser sumariamente dispensado da Academia de Artes de Düsseldorf, onde, entre 1931 e 1933, desenvolveu trabalhos com um novo tipo de pontilhismo. Já em Berna, em 1937, encontrou-se, provavelmente pela última vez, com Pablo Picasso (1881-1973), cuja obra cubista o inspirou a desenvolver, de forma crítica, sua própria produção. O período que viveu em Berna até a sua morte, em 1940, foi um dos mais importantes no desenvolvimento de suas obras.

 

Um dos atrativos da exposição brasileira é o conjunto de cinco dos fantoches produzidos por Klee para seu filho Felix, entre 1915 e 1925. O artista criava as cabeças e as roupas a partir de restos de tecidos velhos e materiais simples que ele encontrava em casa, como carretéis de linha, tomadas ou ossos de boi fervidos. Segundo a curadora da exposição, Klee nunca manipulava os bonecos, deixando a brincadeira inteiramente para o seu filho, "que entretinha a família e os amigos com seu talento cômico”.

 

 

Serviço

Paul Klee – Equilíbrio Instável
Data: de 15 de maio a 12 de agosto

Local: CCBB Rio de Janeiro - Rua Primeiro de Março, 66 – Centro, RJ

Horário: Quarta a segunda, das 9h às 21 horas

Classificação Livre

Grátis

 

Sem Título (última natureza-morta) foi a última pintura criada pelo artista. Estava em um cavalete de seu estúdio quando morreu. 

 

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