Sensibilidade e atenção a detalhes ajudam Jayro Pinto Neto a se tornar o melhor beer sommelier do país

 

O posto de melhor beer sommelier do país tem novo ocupante. O paulista Jayro Pinto Neto venceu o 5º Campeonato Brasileiro de Sommelier promovido pelo Instituto da Cerveja Brasil (ICB). Até então, o detentor do título era o gaúcho Edu Pelizzon que, desta vez, ficou em segundo lugar. Engenheiro civil, Jayro é um dos sócios da cervejaria cigana Minimal, no mercado desde o ano passado, com sete rótulos já lançados.

 

 

 

Lupulinário conversou com ele, por WhatsApp, no dia seguinte da vitória, uma segunda-feira, quando comemorava no EAP, bar em São Paulo. Lá, nos últimos tempos, toda segunda-feira,  o sommelier  “bateu ponto” para se submeter a testes cegos de degustação, como parte de seus estudos para o concurso.

 

Naquele dia, porém, ele não queria saber de testes. Só degustar e se “acostumar” com o fato de que tinha vencido a competição.  Na  anterior, realizada em 2017, ele ficou em quarto lugar, dentre quase 50 concorrentes – um resultado que muitos considerariam bom, menos ele, que admite ser “competitivo e obstinado”.

 

crédito: Victor Marinho

 

“Daquela vez, minha performance na final não foi legal. Fiquei muito preocupado com a banca e não me preparei bem para o teste do serviço. Fiz tudo muito atropelado. A competição é muito estressante. Quando percebi minha atuação ruim no serviço, desabei”, conta Jayro.

 

Como diz o ditado, é com os erros que se aprende. E com ajuda de pessoas especiais também. Jayro não titubeia em dedicar a vitória à sua companheira, Kelly Yamashita, “um mulherão da porra”, segundo definiu. Eles se conheceram na USP-São Carlos, há 17 anos, e seguem juntos, desde então.

 

Jayro, que assume ser ansioso, diz que Kelly o ajudou a “prestar atenção nos detalhes” do serviço. Ele afirma que ela tem uma “sensibilidade fora do comum”.  Na verdade, os “toques” que Kelly, uma doutoranda em arte ativismo, tem dado em Jayro  ajudam, segundo ele, não apenas a fazê-lo um beer sommelier melhor, mas um homem melhor.

 

“Ela é uma feminista intolerante na rua, mas paciente em casa. Eu como homem branco privilegiado, tenho um mindset complicado. Ela me deixa mais atento. Sou engenheiro, costumo exercitar mais meu lado racional e ela me estimula a investir mais na minha sensibilidade. Isso é importante para o trabalho do sommelier porque, uma de suas funções, é estar disponível”, comenta Jayro.

 

Mas é claro que, após o tão temido serviço, agora em 2019, quando ela correu para ele e “cravou” que  seria o vencedor, ele não levou muita fé. Afinal, ela fazia parte da “torcida”.

 

Naquele momento, ele achava que poderia estar, sim, entre os três melhores. No serviço, 

ficou nervoso, mas não afobado, como na edição anterior. Na verdade, ele entrou nesta fase da competição com uma dose extra de confiança. E nesse momento, rolou um pouco de sorte.

 

Isso porque coube a ele analisar  e descrever um estilo de cerveja que é simplesmente o seu preferido, o Gueuze, da escola belga.

 

E pensar que quando começou a beber cervejas artesanais, ele só gostava das inglesas. Nascido em Araras (SP), Jayro, de 36 anos, trabalhou um bom tempo depois de formado, pelo interior do estado. Em 2012, quando foi morar na capital, teve a oportunidade de experimentar as tais inglesas. Foi amor à primeira vista. Lembra que ele já disse que é uma pessoa obstinada? Pois começou a estudar cerveja para apreciar melhor a bebida, sem nenhum interesse profissional.

 

Em 2015, fez o curso de beer sommelier no ICB. O colega de turma que se tornou amigo, Jorge do Val, foi o vencedor do 6º Campeonato Estadual da ACERVA/SP daquele mesmo ano com uma Double IPA – West Coast. A mesma cerveja ganhou duas medalhas no ano seguinte: bronze no South Beer Cup 2016 e melhor Double IPA no IPA Day 2016.

 

Lançá-la no mercado? Por que não? Jayro convocou um amigo de infância, Diogo Steola, e estava formada a sociedade da cervejaria cigana Minimal. Jorge é o cervejeiro da marca. Cabe a Jayro fazer a análise sensorial da bebida e propor ajustes, se necessário. Ele também assume o papel de vendedor junto com Diogo.

 

Agora enlatada, a Double IPA – West Coast campeã ganhou o nome de Bazooka  (8.2% ABV, 80 IBU) e conquistou mais uma medalha:  prata na edição 2019 do Festival Brasileiro de Cerveja.

 

A vitória no concurso rendeu para Jayro  uma viagem para conhecer a fábrica da cervejaria Lagunitas, na Califórnia (EUA). Também carimbou seu passaporte para participar, no dia 27 de setembro, do campeonato Mundial de beer sommelier, a ser realizado em Rimini, na Itália. A equipe brasileira é formada pelos dez primeiros colocados no Campeonato Brasileiro. Jayro participou do Mundial passado.

 

Ele conta que a competição do exterior  é bem diferente da prova do Brasil. Lá, explica, é preciso fazer muitas análises, mas também responder a muitas perguntas sobre informações gerais, o que exige que o sommelier esteja “antenado em tudo”.

 

Sobre a vitória, disse:

 

“Ganhei  o jogo, estava em um bom dia. A vitória vai ajudar a me dar projeção. Isso é bacana”.

 

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