• Sônia Apolinário

'O Censor' leva encenação de teatro para dentro do cinema

Uma peça de teatro será encenada, a partir de amanhã (sexta-feira, 19), em um cinema, no Rio de Janeiro, o Estação Net Botafogo. Na adaptação brasileira de 'O Censor', do dramaturgo escocês Anthony Neilson, os atores contracenam, também, com trechos de filmes. Censura e erotismo feminino são os temas que estarão em cena.

A peça conta a história de uma diretora de cinema (Patricia Niedermeier) que, após ter seu filme censurado, solicita um encontro com o censor (Alexandre Varella). Para ele, o filme não passa de uma pornografia. Para ela, o sexo é instrumento de comunicação e, principalmente, obra de arte.

O embate entre eles se dá em meio a cenas de dezenas de filmes de diretoras que trabalham com o corpo e o sexo de forma livre, como Agnes Varda, Chantal Akerman, Erica Lust, Jane Campion e Maya Deren.

“A peça é complexa, nada maniqueísta. Tem um olhar crítico que instiga as pessoas a refletirem. O censor é machista, tem uma determinada visão a respeito do corpo feminino. O texto levanta questões, não responde às perguntas”, afirma Patrícia.

Ela, Alexandre e Cavi Borges são também co-diretores da peça. Cavi foi o responsável pela seleção dos filmes e pelo vídeo exibido ao final do espetáculo: um inventário, com cinco minutos de duração, de obras censuradas, em todo o mundo.

O próprio autor da peça, por exemplo, já foi censurado. Em 2009, “Stitching” (um drama sobre um problemático jovem casal) foi proibida de ser encenada em Malta e banida pelo “Comitê Maltês Contra Blasfêmias e Obscenidades”. Esse fato acabou gerando uma ampla discussão no país a respeito da liberdade de expressão artística e os limites da censura, o que resultou no fim de algumas Leis de Censura contra a Arte. Em 2018, após um processo que correu nos tribunais de Malta por nove anos, “Stitching” foi legalmente liberada.

Autor premiado, Anthony Neilson, de 52 anos, é considerado um dos mais importantes dramaturgos em língua inglesa. Ele faz parte de um movimento teatral britânico que cria obras provocativas e desafiadoras para a plateia.

Na peça, o filme censurado da diretora não é mostrado, apenas sugerido. Patrícia informa que não há cenas de sexo, no palco. Na sua opinião, o público não vai se chocar com o que vai ver.

“O texto mostra o encontro de pessoas que pensam diferente, o que é muito oportuno para o momento de intolerância em que vivemos atualmente. É a violência que cala a voz do diferente”, comenta Patrícia.

Serviço

O Censor

Local: Estação Net Botafogo - Rua Voluntários da Pátria, 88 - Botafogo (RJ)

Sessões sexta e sábado, às 20h; domingo às 18h e 20h.

Classificação indicativa: 18 anos.

Ingressos: R$ 40,00 (inteira)/ R$ 20,00 (meia)

Temporada: de 19 de abril a 18 de maio

Foto: Alvaro Riveros​

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