• Sônia Apolinário

É tudo verdade, sim

O trabalho do aguerrido apresentador do programa de TV norte-americano “60 Minutes”, que entrevistou, com perguntas duras e diretas, algumas das figuras mais importantes do século 20; e a história do Grupo Opinião, que marcou a resistência cultural contra a ditadura militar no Brasil. Esses são os tema dos documentários “Mike Wallace Está Aqui” e “Memórias do Grupo Opinião” que abrem, respectivamente, em São Paulo (dia 4) e no Rio de Janeiro (dia 9), o 24º Festival Internacional de Documentários - É Tudo Verdade 2019. Na programação do evento, 66 produções poderão ser vistas, gratuitamente, até o próximo dia 14, nas duas cidades.

Mike Wallace Está Aqui”, de Avi Belkin, será exibido no Instituto Moreira Salles (IMS) , às 16h. Jornalista e ator, Wallace (1918-2012) tornou-se personalidade da TV nos EUA. O líder espiritual e político da Revolução Iraniana de 1979, Aiatolá Khomeini; o presidente da Rússia, Vladimir Putin; e um então jovem Donald Trump, longe de ser o presidente norte-americano, foram algumas das personalidades entrevistadas por ele que, na maior parte do tempo, se mantém “em ataque”.

No Rio, “Memórias do Grupo Opinião” , de Paulo Thiago, fará sua estreia mundial, no Estação Net Botafogo - Sala 3, às 15h. Conta a história do Grupo Opinião, um grupo carioca de teatro criado em 1964 para fazer resistência ao regime militar através de produções artísticas. Considerado a primeira resposta da esquerda à ditadura, o grupo reuniu artistas como Nara Leão, Maria Bethânia, João do Vale e Millôr Fernandes.

A política marca forte presença nesta edição do festival com produções como “A Beira”, de Alison Klayman, que investiga a vida do ex estrategista político de Donald Trump e ideólogo da nova onda conservadora mundial Steve Bannon, que andou “apitando” nas últimas eleições presidenciais brasileiras. Em “Encontrando Gorbachev”, a história do último presidente da União Soviética Mikhail Gorbachev (centro da foto), é contada a partir de entrevistas feitas por Werner Herzog (esquerda) e Andre Singer (direita). Já a coprodução entre Uruguai e Brasil “A Liberdade É uma Palavra Grande” narra experiências de um palestino que foi por 13 anos prisioneiro em Guantánamo (EUA).

O festival deste ano celebra a memória e a obra de dois mestres falecidos em 2018: o brasileiro Nelson Pereira dos Santos e o francês Claude Lanzmann.

Nelson Pereira dos Santos (1928-2018) dirigiu clássicos como “Vidas Secas” (1964). No festival, o destaque fica para seus ensaios sobre dois influentes pensadores brasileiros: Gilberto Freyre e Sérgio Buarque de Holanda. Serão exibidos “Casa Grande & Senzala” (2001), realizado para a televisão a partir do livro de Freyre, e “Raízes do Brasil” (2004), sobre a obra e a vida do historiador Sérgio Buarque de Holanda.

Claude Lanzmann (1925-2018) é considerado um dos maiores documentaristas da história. É diretor do clássico “Shoah” (1985), que levou 12 anos para ser concluído. Em parceria com o consulado francês no Rio de Janeiro, o festival apresenta a estreia brasileira dos últimos retratos dirigidos por Lanzmann. Lançado na França meses antes da morte do diretor, em julho passado, “As Quatro Irmãs” desenvolve-se em quatro filmes, concentrados cada qual em uma sobrevivente do genocídio nazista, todas entrevistadas durante o processo de realização de “Shoah”.

Mais de 1.600 títulos foram inscritos visando participar desta 24ª edição, para um total de 66 selecionados – contra 55 em 2018, sendo 22 em estreia mundial. No Rio de Janeiro, o festival amplia o número de salas (3) e aumenta em um terço o número de sessões programadas.

Sete filmes inéditos participam da competição brasileira de longas e médias metragens. Nove produções nacionais disputam na categoria curta metragem.

Da competição internacional de longas e médias metragens, participam 12 filmes inéditos no

Brasil. Dentre ele, “Piazzolla: Os Anos do Tubarão”, de Daniel Rosenfeld, sobre o compositor que revolucionou o tango argentino. Essa produção disputa também a Competição Latino-Americana. Nesta categoria, seis filmes são inéditos no país.

“É um privilégio apresentar uma safra excepcional como esta, tanto brasileira quanto internacional. Foi um dos processos de seleção mais intensos nesta década”, afirma o crítico Amir Labaki, criador e diretor do festival. “Renovam-se os retratos e os herdeiros do Cinema Direto (a tradicional câmera como mosca-na-parede), aprofundam-se as narrativas em primeira pessoa, catalisam-se os diálogos com outras linguagens, seja a fotográfica como a dos jogos digitais. O documentário se move”.

Os filmes premiados no É Tudo Verdade 2019, nas competições de curtas e longas metragens, estarão automaticamente classificados para serem examinados para a disputa do Oscar do ano que vem.

Serviço

São Paulo - 4 a 14 de abril

Centro Cultural São Paulo (Rua Vergueiro, 1.000)

IMS Paulista (Avenida Paulista, 2.424)

Itaú Cultural (Avenida Paulista, 149)

Sesc 24 de Maio (Rua 24 de Maio, 109)

Rio de Janeiro - 9 a 14 de abril

Estação NET Botafogo (Rua Voluntários da Pátria, 88) – Salas 1 e 3

IMS Rio (Rua Marquês de São Vicente, 476)

Veja toda a programação de São Paulo

Veja toda a programação do Rio de Janeiro

Grátis. Os ingressos são distribuídos na bilheteria da sala uma hora antes da sessão

O Spcine Play, vai disponibilizar alguns títulos da seleção internacional deste ano na sua plataforma online O acesso é gratuito, e os filmes ficarão disponíveis por um período de 30 dias.

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