Com dez meses de atraso, exposição Queermuseu chega ao Rio

A polêmica exposição “Queermuseu – cartografias da diferença na arte brasileira” será inaugurada amanhã, dia 18, às 11h, na Escola de Artes Visuais (EAV) do Parque Lage, no Rio de Janeiro. Com dez meses de atraso. Em outubro do ano passado, o prefeito Marcelo Crivella vetou a montagem no Museu de Arte do Rio (MAR) depois de a mostra ter sido censurada em Porto Alegre.

 

 

A remontagem no Rio contará com 223 obras de 85 artistas reconhecidos nacional e internacionalmente, como Adriana Varejão, Alair Gomes, Alfredo Volpi, Cândido Portinari, Efrain Almeida, Guignard, Leonilson, Lygia Clark, Pedro Américo, Sidney Amaral e Yuri Firmeza. A curadoria de Gaudêncio Fidelis reuniu trabalhos provenientes de coleções públicas e particulares, que percorrem um arco histórico de meados do século XX até a atualidade, formando um mosaico da produção artística no país.

 

 

A Queermuseu é a primeira plataforma curatorial com abordagem exclusivamente queer já realizada no Brasil e a primeira da América Latina. A teoria queer afirma que a orientação sexual e a identidade sexual ou de gênero dos indivíduos são o resultado de um construção social e que, portanto, não existem papéis sexuais essencial ou biologicamente inscritos na natureza humana, antes formas socialmente variáveis de desempenhar um ou vários papéis sexuais. 

 

A  exposição foi inaugurada em setembro do ano passado em Porto Alegre. Gerou protestos após ser acusada de incentivar a pedofilia, zoofilia e o desrespeito de símbolos religiosos. Apesar da polêmica, o Ministério Público Federal concluiu que não havia qualquer indício de apologia à pedofilia nas obras, e recomendou a reabertura da mostra, porém,  o Santander Cultural cancelou a exposição.

 

A reabertura no Rio foi viabilizada graças a uma bem sucedida campanha de financiamento coletivo do país, lançada em 31 de janeiro, e coordenada pelo diretor da EAV, Fábio Szwarcwald. Em 58 dias, foram arrecadados um total de R$ 1.081.156, através de 1.724 doações provenientes de 1.659 colaboradores. A campanha contou com iniciativas históricas que impulsionaram o movimento, como um show de Caetano Veloso contra a censura (em 15 de março) e o Levante Queer, evento que atraiu mais de 2 mil pessoas ao parque num único sábado. 

 

“Reabrir Queermuseu é reparar, em parte, o dano causado ao patrimônio cultural e artístico brasileiro, ocasionado pelo seu fechamento precoce e autoritário e o processo difamatório que se seguiu. A reabertura é também um ato político contra a censura e em favor da liberdade de expressão e de escolha”, afirma o curador Gaudêncio Fidelis.

 

Em paralelo à mostra, como programa público, a EAV promoverá o Fórum Queermuseu.

 

 

                                                              Para comentar, aqui

 

 

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