Peça resgata biografia do baiano Luiz Gama, patrono da abolição da escravidão

2018 é o ano que marca 130 anos da abolição da escravatura no Brasil. Em janeiro, uma lei

declarou Luís Gonzaga Pinto Gama patrono da abolição da escravidão do país e seu nome foi incluído no Livro dos Heróis da Pátria. É muito provável, porém, que poucos saibam de quem se trata. Ex-escravo, jornalista, poeta, maçom, advogado autodidata e responsável pela libertação de mais de 500 escravos do cativeiro ilegal, Luiz Gama, como era mais conhecido, ao morrer aos 52 anos, em São Paulo, em 1882, era um verdadeiro ídolo popular. Porém, aos poucos, seu nome foi sumindo dos livros de História e quase não se fala dele, atualmente.  Um resgate dessa biografia é feito em “Luiz Gama: uma voz pela liberdade”, peça que estreia na próxima sexta-feira (dia 6), às 20h, para curta temporada no Teatro Municipal de Niterói (RJ).

 

 

Em cena, Deo Garcez é Luiz Gama. Nivia Helen interpreta várias personagens, sendo uma delas Luísa Mahin, mãe do abolicionista, uma negra livre. Nascido em Salvador, aos 10 anos, Luiz Gama foi vendido como escravo pelo pai, um branco, para pagar dívidas de jogo. Levado para São Paulo, ele permaneceu analfabeto até os 17 anos. Tornou-se advogado autodidata e conquistou judicialmente a própria liberdade. Em 2015, 133 anos após sua morte, Luiz Gama foi reconhecido como advogado pela OAB (Ordem dos Advogados do Brasil).

 

 

 

Na peça, Deo Garcez também é o responsável pela dramaturgia. Ele utiliza poemas e textos do próprio abolicionista para criar suas falas. Dentre os feitos de Luiz Gama está a fundação, ao lado do caricaturista Angelo Agostini, em 1864, do primeiro jornal humorístico ilustrado do país, batizado “Diabo Coxo”. Na peça, os diálogos evocam a luta contra o racismo e a discriminação presente na sociedade brasileira do século XIX e nos dias de hoje.

 

“Trazemos um novo formato de espetáculo intitulado biografia dramatizada. Ele nos permite apresentar Luiz Gama a partir de seus escritos e de personagens que circulam por sua história. Os temas abordados são muito atuais, o que instiga o público a refletir e a propor novas discussões sobre a temática em suas realidades.”, afirma o diretor Ricardo Torres.

 

Deo Garcez conta que a ideia de fazer uma peça sobre Luiz Gama foi uma sugestão do amigo advogado Humberto Adami (Presidente da Comissão Nacional da Verdade da Escravidão Negra do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil). Ele conta que começou uma pesquisa sobre o abolicionista e se "apaixonou" pela sua história.

 

"Ele lutou bravamente pela liberdade dos escravos  brasileiros, nossos irmãos. Lutou pela igualdade e pela justiça.  Ele é um verdadeiro exemplo a ser seguido, especialmente num Brasil tão carente de verdadeiros heróis. Como me identifico com essas causas humanas, encontrei os ingredientes perfeitos para fazer o personagem e a peça", afirma Deo Garcez que usou como principal referência o livro "Com a Palavra - Luiz Gama " , de Lígia Ferreira.

 

Na opinião do ator e dramaturgo, Luiz Gama foi "ideologicamente invisibilizado no Brasil" por ser visto como "ameaça" pelos detentores do poder, contra os quais lutou. Para ele, o reconhecimento do seu nome como Patrono da Abolição e Herói Nacional "é uma reparação definitiva e mais do que justa".

 

 

Serviço

 

Luiz  Gama: uma voz pela liberdade

 

Dia: de 6 a 8 de julho de 2018

Hora: sexta, às 20 horas, e sábado e domingo, às 19 horas

Local: Teatro Municipal de Niterói - Rua Quinze de Novembro, 35 - Centro

Ingressos: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia-entrada)

Classificação: Livre

 

 

Conheça mais sobre Luiz Gama

 

Conheça o Instituto Luiz Gama

 

Sugestão de leitura: 130 anos pós-abolição, por Nexo Jornal

 

                    Busto de Luiz Gama, inaugurado em 1931, no Largo do Arouche (SP)

 

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