Registro Nacional de Cultivares cadastra os primeiros lúpulos a pedido de viveiro do Paraná

Cada vez mais, lúpulo rima com produção brasileira. Na semana passada, cinco variedades da planta foram registradas junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento pelo Viveiro Porto Amazonas, do Paraná. Também na semana passada, ficaram prontas as cervejas feitas com lúpulo produzido em Nova Friburgo (RJ), que serão apresentadas para o público durante a Festa da Flor de Lúpulo, a ser realizada em Amparo, nos próximos dias 31 de marco e 01 de abril. Dentre as plantas utilizadas nessa produção da bebida está o lúpulo Canastra, tido como a segunda variedade brasileira. A primeira que se tem notícia é o lúpulo Mantiqueira. Nenhum dos dois, porém, está registrado.

 

No último dia 21 de março, passou a fazer parte do Registro Nacional de Cultivares os lúpulos Cascade, Centennial, Fuggle, Hallertauer Magnun e Northen Brewer. As plantas foram adquiridas há dois anos, nos Estados Unidos e Argentina, pelo Viveiro Porto Amazonas, que fica a 80 Km de Curitiba. A venda das mudas, porém, ainda demora cerca de um ano para começar.

 

 “Temos mudas, mas ainda estamos em busca de qualidade. Precisamos garantir a genética de cada variedade, além de observar o ciclo completo da planta. Só vou vender quando puder dar garantias para o consumidor”, afirma o biólogo Leonel Carlos Anderman, de 42 anos, que administra o Viveiro ao lado do pai, Claudio, criador do negócio há 50 anos.

 

 

O interesse do biólogo pelo lúpulo começou há cinco anos, “com a onda da cerveja artesanal”, na região. Ele se interessou em produzir a bebida, por hobby. Daí a querer ter seu próprio pezinho de lúpulo foi um pulo. Chegou a comprar algumas mudas, mas nada vingava. Ele, então, decidiu comprar mudas de qualidade para plantar. Agora, fez o registro como parte do processo rotineiro de regularização das mudas do Viveiro.

 

Leonel está convicto que plantar lúpulo no Brasil “tem tudo para dar certo”. Segundo ele, o país importa, por ano, R$ 50 milhões em lúpulo destinado à produção de cerveja, e outro tanto usado na produção de medicamentos, no caso, tranquilizantes.

 

“A produção de lúpulo vai estourar no Brasil. O lúpulo se adapta tranquilamente por aqui. Há anos, quando meu pai começou a plantar maçã, o pessoal do Japão e da Argentina dizia que o Brasil não tinha clima para produzir a fruta. É o mesmo que falam em relação ao lúpulo, no Brasil”, comenta.

 

Na Patagônia, o biólogo chegou a ouvir que o lúpulo poderia até crescer em solo brasileiro, mas não seria uma boa planta para ser utilizada na produção de cerveja. Recentemente, Leonel também tirou isso à prova: fez uma Session IPA com eugênia, uma fruta parente da pitanga. O resultado? A bebida, segundo ele, “ficou maravilhosa, com amargor impressionante”.

 

Na opinião de Leonel, o lúpulo será uma das grandes culturas do Brasil, “com ótima opção

para o pequeno agricultor”. Segundo ele, as mudas, atualmente, ainda são caras: cerca de R$ 30,00 cada. O biólogo, porém, acredita que, em breve, será possível fazer esse preço cair “em menos da metade”.

 

Quem quiser conhecer o Viveiro, terá uma oportunidade no mês de abril. Dos dias 4 a 7, o local vai promover o 5 Feirão de Plantas Ornamentais, com direito a ciclo de palestras. Fica na Estrada da Nova Restinga, km 5, em Porto Amazonas (PR).                                                                                                                                                       Cascade

 

                                                                          

 

Canastra

 

Um lúpulo que está sendo anunciado como sendo brasileiro foi utilizado em algumas das cervejas que poderão ser degustadas durante a Festa da Flor do Lúpulo, em Amparo, localidade de Nova Friburgo (RJ). Ainda em fase experimental, o Canastra estaria tendo o registro pleiteado pela empresa  Rio Claro Lúpulos, de Rio Claro (RJ).

 

O site da empresa informa que o Canastra (ou Cascade rioc-001) “é um lúpulo 100% brasileiro que nasceu do cruzamento entre uma planta de Cascade Argentino de El Bolsón e uma planta de Cascade americano do Yakima Valley”.

 

Até o momento, é aceito como sendo lúpulo brasileiro o Mantiqueira, desenvolvido pelo engenheiro agrônomo Rodrigo Veraldi, em São Bento do Sapucaí (SP). A Brasil Kirin apoiava a pesquisa sobre esse lúpulo e começou um trabalho para registrá-lo. Porém, com a compra da cervejaria pela Heineken, esse processo foi interrompido. Na prática, significa que nem o Mantiqueira nem o Canastra constam atualmente do Registro Nacional de Cultivares do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

 

 O Canastra é uma das 14 variedades de lúpulo que está sendo cultivada em Nova Friburgo e que está transformando a região em polo produtor da planta, no Rio de Janeiro. É justamente para chamar a atenção para esse cenário que foi criada a Festa da Flor do Lúpulo, em Amparo.

 

Oito tipos de cerveja foram produzidas especialmente para o evento por cervejeiros da região. Três deles escolheram utilizar o Canastra. Um deles é Paulo Celles Cordeiro que tem 15 pés desse lúpulo plantado na sua propriedade. Para a festa, ele produziu 80 litros de uma Witbier utilizando 150 gramas de Canastra, no final da fervura. Sua cerveja ficou com 3,8% de teor alcoólico e 22IBU.

 

“Plantei o Canastra em outubro do ano passado e em cinco meses fiz colheita. O lúpulo é muito aromático, é bem interessante”, comenta ele que não fez colheita em fevereiro de propósito para que o público da Festa possa visitar uma plantação de lúpulo.

 

O produtor André Gripp optou por fazer uma APA. Como utilizou um lúpulo que seria brasileiro, batizou sua cerveja de Br’APA. Para sua brassagem de 50 litros, ele optou por usar 200 gramas do lúpulo desidratado, no final da fervura.

 

 

“Como o lúpulo é fresco, não passou por processo de sanitização, preferi usar na fervura para evitar contaminação. O Canastra é cepa que vem do Cascade americano. É um lúpulo de aroma. O fresco apresentou aroma mais gramíneo, mais chá verde, mas não muito intenso. Depois da fervura, porém, ressaltou um aroma cítrico forte. Foi surpreendente. No envase, colocamos duas flores dentro de cada garrafa como teste. Vou descobrir como ficou junto com o público”, conta ela que, na sua cerveja, utilizou também na fervura, o lúpulo Mosaic para buscar amargor.

 

 

 

A sua cervejaria, a GrieBier, é uma cigana com dois anos de idade e produção de 500 litros por mês. Até agora, ele está satisfeito com a “performance” do Canastra, mas ressalta que ainda não há informações suficiente que confirmem se tratar de uma segunda variedade nacional.

 

Tomaz dos Santos, da Hessen Bier, preferiu fazer uma das suas receitas mais “vitoriosas”, uma Red IPA. Para fazer 60 litros da sua cerveja, usou Cascade cultivado em Amparo no Dry Hopping. Para a festa, colocará Canastra fresco no Infusor.

 

“Usar lúpulo em flor fresco é novidade para nós. Ainda não sei como vai resultar essa experiência”, afirma.

 

O evento ganhou sua própria cerveja. A Blond da Festa da Flor do Lúpulo, foi feita com Cascade e Saaz pela Beer Aliance, grupo formado por 13 cervejarias da região, todas devidamente registradas no MAPA.

 

 

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