Mulheres do Malte brilham sob as bênçãos de uma cerveja defumada

Um ano e dois meses depois de criada, a Confraria Cervejeira Mulheres do Malte saiu festejada ao término do 4 Festival de Confrarias de Cervejeiros Caseiros do Rio de Janeiro, realizado em janeiro.  O grupo, que participou do evento pela segunda vez, faturou o primeiro lugar em Estilo Livre e teve a sua Rauchbier indicada como The Best of Show. No placar final, a CCMM ficou em segundo lugar. O primeiro coube à Confraria dos Cervejeiros Caseiros de Niterói (CCN).

 

A confraria feminina foi criada por esposas de cervejeiros caseiros. Apesar de acompanharem os maridos nos eventos, elas não conseguiam ser convidadas para as brassagens. Sabrina Fernandes e Fernanda Lacerda tiveram a ideia de criar o grupo e convidaram Fabiana Ruas para se juntar a elas. Estava formado o núcleo central da CCMM.

 

“Nossa participação nas brassagens não era negada explicitamente, mas o fato é que nunca fomos convidadas. Só éramos convidadas para beber a cerveja”, comenta Sabrina que também faz parte da CCLA (confraria cervejeira da Leopoldina)

 

Ela, naquela época, já tinha experiência em produção de cerveja por fazer brassagens com o marido, em casa, em Ramos,  desde 2015. O mesmo vale para Fabiana, sócia do marido na Cervejaria Caseira de Santa Cruz, que funciona na parte da frente da casa onde moram. O casal faz parte da C4G, a confraria de Campo Grande. Já Fernanda não fazia parte de confrarias. Porém, frequentava todas elas por trabalhar com aluguel de chopeira.

 

Para mostrar que não estavam de brincadeira, dias depois de lançada a ideia, elas se mobilizaram para fazer a primeira brassagem. Fernanda fez a receita de uma Blonde Ale. Uma tia de Sabrina cedeu o quintal da casa, no Engenho Novo. Cada uma levou o equipamento que tinha e, finalmente, lá estavam elas brassando sozinhas.

 

O mais curioso desse movimento, como recorda Sabrina, é que, foi só as mulheres assumirem as panelas para os maridos e amigos de outras confrarias se entusiasmarem com as brassagens femininas. Atualmente, eles são bem-vindos quando as Mulheres do Malte se reúnem para produzir, mas não dão palpite.

 

“Os homens finalmente entenderam que queríamos fazer cerveja e não apenas beber. Logo que a confraria foi criada, não tivemos apoio, de imediato, de outras mulheres. Muitas diziam que não iria dar certo”, conta Sabrina.

 

Atualmente, a CCMM tem 34 integrantes. Para fazer parte, é preciso “agregar conhecimento e participar dos eventos”, no caso, pelo menos ir a um encontro a cada três meses, como explicou Sabrina. Oficialmente, a confraria não tem sede, mas, onde elas mais se reúnem é na casa de Fabiana. Já os encontros não têm local fixo e acontece, a cada vez, em local mais próximo de onde mora alguma das integrantes. Quando o grupo completou seu primeiro aniversário, foi instituída a cobrança de uma taxa mensal de R$ 20,00.

 

Sabrina conta que a confraria já chegou a ter mais de 40 integrantes, mas que a maioria não participava de nada. Resultado: muitas foram retiradas do grupo.

 

“Quando a gente toma as rédeas e faz, reclamam que você é autoritária", comenta Sabrina que explica que as Mulheres do Malte produzem cerveja sem regularidade definida.

 

A movimentação da confraria chamou a atenção dos organizadores do Festival e as Mulheres do Malte foram convidadas para participar da segunda edição do evento. Recusaram. Segundo Sabrina, elas não estavam estruturadas para encarar o desafio, mas se colocaram como meta participar do terceiro. E participaram. E levaram a Rauchbier e uma Dark Strong Ale. Na época, o regulamento não permitiu que elas participassem do concurso, principalmente, por não brassarem com regularidade. As regras mudaram, o 4 Festival chegou e a Rauchbier voltou à cena. E garantiu a primeira medalha de ouro para as Mulheres do Malte.

 

A premiação alterou a rotina da confraria feminina. Com a maior visibilidade, a CCMM vem recebendo convites para participar de eventos. No próximo dia 17 de março, por exemplo, elas vão a Maricá, a convite da prefeitura, para fazer uma brassagem aberta, na praça principal da cidade.

 

Antes, porém, no dia 10 de março, elas mesmas serão as anfitriãs do evento “Minha flor é de lúpulo”, que estão organizando, e do qual faz parte um concurso cervejeiro.

 

Sabrina conta que, antes mesmo do festival, já havia a vontade da CCMM de fazer uma festa para comemorar o Dia Internacional da Mulher. Inspiradas por uma ação da Confraria Maria Bonita, de Pernambuco, elas decidiram promover o concurso, cujo resultado será divulgado no evento, a ser realizado no Bar da Portuguesa, em Ramos.

 

A meta, agora, segundo Sabrina, é equipar a confraria. Elas querem ter barril e geladeira próprios para guardar a produção sem ter que ocupar equipamentos alheios. Ela acredita que essa providência vai, inclusive, permitir que a confraria passe a brassar com regularidade definida.

 

“Depois da premiação, todo mundo na confraria passou a querer fazer tudo. Vamos ver no que vai dar. O que sei é que estou confiante no sucesso da nossa festa”, afirma Sabrina, uma apaixonada pelo estilo Stout.

 

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