Os cinco passos do empreendedor iniciante

O ano de 2016 foi de muito desemprego. Para muitos, o caminho da sobrevivência foi se embrenhar pelo empreendedorismo. O que, necessariamente, não significa sucesso. Para muitos outros, nem isso.

 

“As pessoas querem o benefício do empreendedorismo, mas não os riscos do empreendedorismo. É possível compreender isso porque, de um modo geral, nossa formação é voltada para nos tornarmos empregados e não empregadores”, observa  Simone Carvalho, fundadora  e diretora da Sociedade Internacional de Liderança e Coaching, com sede em Botafogo, no Rio de Janeiro.

 

 

 Assim, para quem pretende fazer diferente e fazer a diferença em 2017, ela vai dar uma "empurradinha" e apontar o “caminho das pedras” para quem pretende iniciar sua jornada empreendedora. É um caminho que se percorre em cinco passos.

 

 

Primeiro Passo: Sonhar

 

Não, não é para ir se deitar na rede. Ao contrário. Simone explica que, uma Meta, nada mais é do que ter um Sonho com data – e  não apenas para começar.

 

 

O problema desse primeiro passo, afirma a master coach, é que, na maioria dos casos, a decisão de empreender surge quando se chega no fundo do poço, quando se acredita que não há mais tempo para sonhos. É nessa hora que entram em cena as várias desculpas para não se sair do lugar.

 

 

“O esquema mental a que estamos habituados nos diz que é preciso Ter para que possamos Fazer para, só então, podermos Ser. Esse esquema chega com tudo no momento em que o Ter está muito frágil. É por isso que o trabalho do coach atua no Ser, identificando competências, talentos e gaps, para que seja possível redesenhar o esquema mental”, explica Simone.

 

 

Segundo Passo: Propósito

 

Ou “porque o sonho inicial é importante”; “que tipo de retorno terei com meu sonho”.

 

 

Simone admite que identificar o propósito de um sonho nem sempre é tarefa fácil. E quando isso acontece, as pessoas têm dificuldade de se perceber como vendedoras de si mesmas - sim, porque é dessa forma que clientes são prospectados.

 

 

“Temos a imagem do vendedor como aquele cara que não deu certo e, por isso, virou vendedor. Associamos vendedores a pessoas chatas. Tudo isso são as crenças limitantes que acumulamos ao longo da vida. Se não nos livramos dessas crenças, não avançamos”, comenta Simone que se adianta para explicar que o coach não trabalha com passado, com os problemas das pessoas, não se ocupa do processo que cristalizou uma crença limitante em alguém. Disso quem cuida é a psicanálise. “Coach se ocupa com futuro e metas”.

 

 

Terceiro passo: Empenho

 

Aqui, é preciso traçar um plano de ação, uma estratégia para se conseguir realizar o sonho.

Um erro comum de um futuro empreendedor é agir sem planejamento. Ah, planejou? Então, cumpra!

 

 

Simone ensina que empreender exige constantes tomadas de decisões de risco. Não existe segurança, garantias. Ao mesmo tempo que não existe resultado sem decisões de risco.

 

 

Quarto passo: Esforço organizado

 

Essa é a perna de apoio para o êxito total do terceiro passo: planejar a ação se faz escrevendo, colocando metas no papel. Segundo Simone, essa simples providência de escrever o plano de ação é uma poderosa arma contra dois inimigos: procrastinação e sabotagem:

 

 

“O que gera resultado é atitute. Eu comecei meu negócio sem dinheiro. Devemos começar pelo simples. Sofisticar muito no início é aquela sabotagem do Ter que vem antes do Fazer. Meu primeiro vídeo foi feito pela minha filha, que hoje tem 16 anos, segurando meu celular. O planejamento é algo que deve ser revisto e refeito diariamente. Por escrito”.

 

 

Quinto passo: Realização pessoal

 

Chegamos “ao final”. Agora, cada um precisa trabalhar seus valores. E perceber se seu Sonho inicial “casa” com eles.

 

 

Missão cumprida? Claro que não. É hora de “ajustar” o sonho. E começar tudo outra vez.

 

 

Mas, afinal, quem é Simone  Carvalho?

 

Criada em Duque de Caxias, Baixada Fluminense (RJ), se formou em Serviço Social. Sua “missão” inicial de trabalhar diretamente com pessoas foi desviada por conta de boas oportunidades profissionais e seguiu rumo às grandes empresas como Furnas e Varig. Nesta última, ficou por oito anos. Saiu ao perceber que a empresa “despencaria” e para cuidar do segundo filho que estava a caminho.

 

 

Depois de dois anos fora do mercado, voltou como consultora. Logo foi contratada por uma empresa de Call Center, onde assumiu a área de benefícios e aprendeu, no dia-a-dia, a se tornar gestora. De uma hora para outra, a empresa mudou de donos e de perfil. O tipo de trabalho que desempenhava, não era mais do interesse dos novos donos. Aos 39 anos, foi demitida pela primeira vez.

 

 

“Foi um baque. O mercado não me absorvia e eu insistia. Até que um amigo me disse o seguinte: que eu era inteligente, mas não era ousada. A ficha caiu”, conta Simone.

 

 

Hora de rearrumar os pensamentos. Ela identificou que sua vocação era treinar e desenvolver pessoas. Buscou uma formação em coaching para ter um diferencial competitivo no mercado, que continuava a não se interessar por ela por conta da idade. Foi então que teve o primeiro pensamento ousado: percebeu que poderia ser coach e ter sua própria empresa. Mas isso era apenas um pensamento. Ainda.

 

 

Nesse momento, como obstáculo pouco é bobagem (ou sabotagem), separou-se do marido e se mudou com os dois filhos para a casa dos pais. Para sobreviver, decidiu ser professora em uma boa escola onde seus filhos poderiam estudar. A mãe não deixou.

 

 

“Coach é aquele que acredita em você mais do que você mesmo. Minha mãe foi minha grande coach. Ela me disse: vai lá e vive seu sonho. Meu pai me criou para ter emprego formal, o que para ele significava segurança. Ele teve um negócio e faliu quando eu era pequena. Entendo ele. Mas que segurança é essa que o emprego formal traz? As pessoas são demitidas e os que buscam a segurança do emprego público, bem, muitas, neste momento no Rio de Janeiro estão sem receber seus salários”, pondera Simone.

 

 

Ela conta que estava “além do fundo do poço” quando finalmente decidiu pedir ajuda. No caso, a um coach. Seu objetivo: se perceber de modo diferente. “Sair da cabeça de empregada para empregadora”.

 

 

Atenção! Coaching não é: terapia, profissão, motivacional.

Segundo Simone, Coaching é: competência, técnicas e ferramentas. Sim, existem coachs  especializados nos mais diversos segmentos.  Portanto, até para escolher o “seu”, é preciso saber o que se quer.

 

 

Simone queria desesperadamente aprender a se vender. Correu para a Internet para encontrar o profissional que julgou certo para o seu caso. A essa altura do campeonato, já acumulava R$ 40 mil em dívida. O curso custava R$ 3 mil. Ela negociou. De aluna “devedora” se tornou parceira e, agora, sócia.

 

 

Foi “fechando” clientes até conquistar a oportunidade de treinar 62 líderes, em Angola, na África. O negócio cresceu junto com o aprofundamento dos estudos: partiu para a neurociência. Se especializou em formar coach e líder coach. Até o momento. Fundou a Sociedade Internacional de Liderança e Coaching em 2011.

 

 

Como escolher seu coach?

 

As principais referências do segmento são:

 

International Coach Federation (ICF)

 

ICF- Brasil e suas regionais

 

“Quando chegar a um nome, peça uma sessão experimental. Se o profissional cobrar por essa primeira sessão, desconfie. Essa primeira conversa é importante para os dois. Se o coach não sabe o que o cliente precisa, ele não tem o que oferecer”, afirma Simone, uma das 26 autoras do livro "Estratágias de Alto Impacto", onde coachs narram suas experiências e o que os levaram a buscar e se dedicar a essa ferramenta que lida com comportamento e crenças.

 

 

 

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