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  • Sônia Apolinário

Um salve para os 80 anos da Rádio Nacional

No dia 12 de setembro, a Rádio Nacional comemorou 80 anos.

Nascida como uma empresa privada, tornou-se pública em 1940 quando Getúlio Vargas a estatizou. Atualmente, pertence à Empresa Brasil de Comunicação (EBC). A Nacional não foi a responsável pela primeira transmissão radiofônica do país. O rádio nasceu no Brasil, oficialmente, em 7 de setembro de 1922, nas comemorações do centenário da Independência do país, com a transmissão, à distancia e sem fios, da fala do presidente Epitácio Pessoa na inauguração da radiotelefonia brasileira

Também não foi a primeira emissora de rádio brasileira. Roquette Pinto, um médico que pesquisava a radioeletricidade para fins fisiológicos, acompanhava tudo e, entusiasmado com as transmissões, convenceu a Academia Brasileira de Ciências a patrocinar a criação da Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, que viria a ser a PRA-2. A rádio só começou a operar, no entanto, em 30 de abril de 1923

A então PRE-8 nasceu, porém, fadada ao estrelato. Primeiro, ao ocupar o último dos 22 andares do prédio do jornal A Noite, na Praça Mauá, então, o maior da América do Sul.

Depois, ao se tornar, na década de 40, a principal emissora do país e verdadeiro símbolo da chamada "Era do Rádio". Com programação ao vivo, passou mais tarde a ser transmitida para todo o país, o que fez a Nacional se tornar pioneira na integração cultural do Brasil.

De lá para cá, não apenas a emissora, mas todo o sistema radiofônico brasileiro já foi dado como morto pelo menos duas vezes. A primeira, com a chegada da TV e, depois, com a internet.

“Embora as previsões datassem a morte do rádio, ele é o único meio de massa capaz de penetrar em todas as camadas de forma instantânea. A capilaridade, a penetração e cobertura do rádio fazem deste, ainda, o meio mais abrangente nos dias de hoje”, afirma Márcio Canzian, Chief Media Officer da Dim&Canzian, em entrevista para o site AdNews.

A TV roubou da Nacional e do rádio em geral, a programação de entretenimento. Restou-lhe se reinventar no jornalismo e nos seus “grandes comunicadores”, verdadeiros ídolos da população. Agora, as webradios e os podcasts ameaçam a soberania radiofônica. Porém, são apenas as ondas do rádio que conseguem chegar a absolutamente todos os cantos do país. Restará ao rádio se reinventar mais uma vez.

O aniversário da Nacional é uma boa desculpa para pensar sobre o futuro do veículo. Quando no seu auge, a emissora inovou ao criar uma grade de programação, inovou na forma de transmitir partidas de futebol, inovou ao ampliar a integração com o público, que foi convidado a ocupar a plateia dos programas de auditório onde podiam ver, bem de perto, a apresentação de seus ídolos.

Ao olharmos agora para o antigo endereço da Rádio Nacional, nos deparamos com uma praça Mauá totalmente reformulada. Por lá, não passam mais bondes, mas o moderno VLT. De local esquecido pelos cariocas a novo point do Rio de Janeiro. A nova Mauá merece receber de volta uma nova Rádio Nacional.

Aos 80 anos, a emissora precisa fazer um “esforço de modernidade”, mergulhar na cultura digital e voltar a inovar, como um dia já fez. Não precisa se submeter a uma plástica radical, nem se entupir de botox, mas terá que ir atrás do(s) público(s). E interagir com a audiência – algo que as rádios sempre fizeram e que, não, não foi inventado pela internet e as mídias digitais.

Para conhecer em detalhes a história da Rádio Nacional e a importância dessa emissora para o Brasil, assista o ótimo programa da TV Brasil, “Caminhos da Reportagem”sobre o tema, publicado acima.

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