O fim da sucursal carioca da Folha de S.Paulo

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Este foi oficialmente o último dia de funcionamento da sucursal carioca do jornal Folha de S.Paulo. Cinco repórteres da antiga equipe se tornarão “correspondentes” do jornal no Rio de Janeiro. Vão trabalhar de casa, pelo menos nesse primeiro momento.   

 

 

Eu trabalhei na sucursal carioca da Folha, na antiga sede, na Presidente Vargas, no centro da cidade. Essa que fechou agora fica(va) na rua Santa Luzia, também no centro. Foi na Folha que projetei meu nome, no mercado jornalístico. E cobrindo um tema tido como secundário: televisão. 

 

 

Não era uma cobertura tipo “Caras”. O que interessava era o bastidor, o negócio, o que determinava a criação de um programa ou o fim de outro. Foi como repórter dessa sucursal que assinei as reportagens que esclareceram a saída de Armando Nogueira do comando do jornalismo da Rede Globo e o que isso tinha de relação com a Era Collor – aliás, no livro “Notícias do Planalto”, de Mario Sergio Conti, sou citada por conta dessas reportagens. 

 

 

O que era um “momento de glória” para mim era somente mais uma dia na rotina dessa sucursal. Eu fiz parte de um dream team! Aqui não citarei nomes porque posso me esquecer de alguém, o que não seria justo. Mas foi daquela sucursal que saíram matérias que revelaram a política nuclear brasileira e suas contas secretas, por exemplo. Já na sede “nova”, outro assunto “secundário” – esporte - levou para o jornal o Prêmio Esso principal. 

 

 

Na sede “antiga”, eu tive a honra de trabalhar, diariamente, ao lado do genial Janio de Freitas, para mim, ainda o mais importante jornalista do país. Naquela redação, ele ocupava uma pequena sala, permanentemente de porta aberta. E nós entrávamos, é claro. Mas ele também vinha se sentar do nosso lado para conversar. Não tem crise do jornalismo que tire essa experiência do meu coração! 

 

 

Tudo isso é para dizer que eu não me conformo com o fechamento dessa sucursal. E não falo pelo ponto de vista empregatício, mas jornalístico. Queiram ou não os paulistas, o Rio de Janeiro é, sim, a capital cultural do país. E um jornal que se pretenda nacional não pode se contentar em se tornar uma folha restrita a um estado. Eu tenho certeza que a sucursal carioca da Folha de São Paulo, aos poucos, voltará. Antes, porém, a própria Folha precisa voltar a ser a Folha de S.Paulo que, uma dia, chegou a conquistar os leitores cariocas, apesar de todo o bairrismo. 

 

 

Eu tenho muito orgulho de ter feito parte da história dessa sucursal!

 

 

P.S - A foto que ilustra este texto foi feita por Jacque Farid, dia 16 de setembro de 2016, na sucursal carioca da Folha de S.Paulo, no final de um "bota fora" que reuniu jornalistas que por lá trabalharam, em diferentes momentos.

 

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